Polícia investiga trotes violentos no interior paulista

Veteranos são acusados de lesão corporal, injúria e constrangimento iegal

Chico Siqueira, da Agência Estado,

25 Fevereiro 2010 | 18h37

A Polícia de Fernandópolis, a 555 km de São Paulo, concluiu que oito alunos veteranos da Unicastelo cometeram três tipos de crime ao praticar trote violento contra três calouros, chegando a obrigar um deles a beber um líquido que seria álcool combustível. Segundo o delegado Gerson Donizete Piva, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), o inquérito sobre o caso está concluído e oito veteranos, dos cursos de veterinária e agronomia, serão indiciados nos crimes de lesão corporal, injúria e constrangimento ilegal.   Calouros passam por exame após trote violento em SP   "Não restam dúvidas de que os três calouros foram agredidos fisicamente e humilhados", disse o delegado. Ele aguarda o resultado de perícias - para apontar se o líquido ingerido à força por um calouro era mesmo álcool combustível, e para saber quais efeitos do veneno de carrapato, passado nos calouros, pode causar ao ser humano - antes de enviar o relatório ao Ministério Público.   Nesta quinta-feira, 25, dois calouros prestaram depoimento na comissão de sindicância nomeada pela Unicastelo para apurar o trote. Segundo a assessoria da faculdade, os alunos acusados também deverão ser ouvidos e poderão ser expulsos.   Em Barretos (424 km de São Paulo), a Polícia Civil identificou dois suspeitos de agredir sete alunos do Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos (Unifeb) em trote realizado na noite da última segunda-feira. De acordo com o delegada Silvana Matias, um dos agressores, de 24 anos, cursa engenharia civil e o outro, de 19, não está matriculado em nenhuma faculdade de Barretos. Os dois serão ouvidos pela polícia e devem ser indiciados em crime de lesão corporal.   Durante o trote, os calouros tiveram os corpos queimados por creolina e tiveram que passar por atendimento médico. A polícia ainda procura outros suspeitos. A Unifeb disponibilizou em sua página na internet (www.unifeb.edu.br ) um canal para os internautas denunciarem a prática do trote violento e ajudar a encontrar outros supostos agressores.   Em Bauru, a 343 da capital, 40 calouros, dos cursos de odontologia e fonoaudiologia da Universidade de São Paulo (FOB/USP) passaram os dois últimos dias pintando as paredes da escola municipal de Educação Infantil Maria Rosa da Conceição, no núcleo Geisel, um dos bairros mais carentes e populosos da cidade. O trote solidário fez com que a escola recebesse pintura nova, o que não ocorria havia 28 anos.

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