Polícia identifica suspeita de queimar calouros em Santa Fé

Uma das vítimas, que está grávida, passou por exame de ultrssom nesta quinta-feira; o bebê está bem

Chico Siqueira, da Agência Estado,

12 de fevereiro de 2009 | 18h32

A Polícia Civil de Santa Fé do Sul, a 623 km de São Paulo, identificou a universitária que teria despejado o produto químico que queimou os corpos de duas calouras, uma delas grávida, durante o trote da Fundação Municipal de Educação e Cultura (Funec), na noite de segunda-feira.   Veja também:  Conte a sua história de trote Você aprova os trotes de veteranos em calouros?  Você tem imagens de trote? Envie ao Foto Repórter Editorial: Os selvagens debiloides Vítima de trote em Leme-SP aponta 2 veteranos à polícia Trote leva calouro para o hospital, em Leme (SP) Pesquisador diz que prática é medieval   O delegado Gervásio Fávaro, que apura o caso, não quis divulgar o nome da suspeita, mas disse que só vai ouvi-la no final do inquérito e que possivelmente ela será indiciada por lesões corporais dolosas. Segundo Fávaro, a polícia tem informações de que além de Priscila Vieira Muniz, de 18 anos, grávida de três meses, e de Jéssica da Silva Rezende, de 17 anos, pelos menos outras duas pessoas foram atacadas pela estudante. Uma dessas pessoas é o estudante Adrian Carlos da Silva, que teve a barriga queimada.   Na noite desta quinta-feira, o delegado deveria conversar com outra vítima, uma estudante que mora na cidade de Aparecida do Taboado (MS) e estuda em Santa Fé.   "Ela também foi atacada. Na verdade não sabemos quantas pessoas foram vítimas", disse. "Estamos contanto essas pessoas para que façam a denúncia formal sobre as agressões sofridas", disse o delegado. Jéssica e Priscila prestaram depoimento nesta quinta-feira à polícia. As duas confirmaram as versões apresentadas à imprensa.   Priscila confirmou que foi atacada por uma estudante do segundo ano de Pedagogia, enquanto Jéssica disse não ter visto a agressora. Priscila disse ter sido agredida na saída da fundação, que antes chegou a retornar para a sala de aula, mas na saída foi abordada pela moça, que lhe despejou um líquido sobre seu corpo. Jéssica afirmou que foi atacada quando descia a rampa da escola, mas não viu quem despejou o produto químico em suas costas. A polícia sabe que o produto continha creolina, solvente e possivelmente desinfetante, mas nenhum frasco foi apreendido. Priscila passou nesta quinta-feira por exames de ultrassonografia para verificar o estado de saúde de seu bebê. "Ele estava dormindo, mas sabemos que nada aconteceu a ele", disse. Os médicos não souberam dizer se as grandes manchas - feitas pelas queimaduras nas costas, coxas, cotovelos e nádegas - vão sair ou se serão definitivas. A estudante ainda deve passar por novos exames para confirmação detalhada do seu diagnóstico para melhor orientar o processo criminal.   Em São José do Rio Preto, o procurador da República Jéferson Aparecido Dias disse que as universidades são responsáveis pelos trotes e deveriam estar mais atentas para evitá-los, o que segundo ele, não vem ocorrendo. Ele disse esperar informações sobre trotes aplicados em Catanduva para decidir se o Ministério Público Federal abre ou não procedimento sobre os trotes.   A Funec fez novo pronunciamento nesta quinta-feira, informando que abriu processo administrativo para apurar a responsabilidade e punir os culpados. Ao mesmo tempo, diz a nota, a fundação vai acompanhar o desenrolar do inquérito para aplicar a pena cabível.

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