Reprodução/Facebook
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Polícia desocupa 4 escolas e detém 42 estudantes em SP

Desde o início de outubro, o governo Alckmin já conduziu para delegacias 110 alunos que haviam tomado oito escolas no Estado

Ronaldo Faria, Especial para O Estado

27 Outubro 2016 | 20h33

CAMPINAS - Quatro escolas estaduais em Campinas (SP) foram desocupadas nesta quinta-feira, 27, depois de uma ação da Polícia Militar (PM) e 42 estudantes foram detidos. As escolas estavam ocupadas por estudantes em protesto contra a reforma no ensino médio, que o governo federal pretende realizar, e contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que limita pelos próximo 20 anos os gastos públicos, incluindo a área de Educação.

Desde o início de outubro, a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) tem fechado o cerco para conter protestos de estudantes e evitar nova onda de ocupações de escolas no Estado. Além das quatro escolas desocupadas nesta quinta, desde o início do mês houve reintegração de posse em pelo menos outras quatro escolas do Estado: duas na capital, uma em Campinas e uma em Sorocaba. No total, pelo menos 110 estudantes foram detidos nas operações, que foram realizadas sem mandado judicial.

De acordo com levantamento da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), pelo menos 1177 instituições de ensino estão ocupadas pelos estudantes em 19 Estados e no Distrito Federal. Desse total, 102 são universidades. As ocupações se concentram no Paraná, com 848 escolas. Com as desocupações desta quinta, de acordo com o levantamento, São Paulo tem agora quatro escolas ocupadas, na capital, em Cubatão, em Avaré e em Sertãozinho.

 

 

Nesta quinta, os 42 alunos detidos nas quatro escolas de Campinas foram levados de ônibus à 2ª Delegacia Seccional e aos 2º e 4º distritos policiais, para prestarem depoimentos, e foram depois liberados. Não houve resistência à desocupação, nem confronto entre os alunos e a PM. As aulas foram retomadas no período da tarde.

As escolas estaduais que estavam ocupadas eram a Ruy Rodrigues, desde segunda-feira, 24, a Hugo Penteado Teixeira e a Carlos Alberto Galhiego, desde terça-feira, 25, e a Antonio Carlos Lehman. Esta última estava com alunos desde a quarta-feira, 26. Todas são localizadas no distrito do Campo Grande. 

A reintegração das unidades foi acompanhada por advogados de movimentos populares e do Conselho Tutelar da Infância e da Juventude. 

Sem incidentes. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Estado de São Paulo disse que “as desocupações citadas pela reportagem foram realizadas com base em parecer da Procuradoria Geral do Estado, que garante a autotutela na reintegração de prédios estaduais pela PM”. A SSP afirmou ainda que a intervenção policial “foi acompanhada por integrantes do Conselho Tutelar de Campinas e não se registrou qualquer incidente, sendo restabelecida a ordem pública, com a preservação do patrimônio público e da integridade física e dignidade de todos os envolvidos”. 

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