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Polícia apreende dois menores suspeitos de roubo dentro da USP

Um dos adolescentes foi abordado pela Polícia Militar dentro de uma sala de aula do Núcleo de Consciência Negra da universidade

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

03 Julho 2015 | 11h06

SÃO PAULO - Dois adolescentes foram apreendidos pela Polícia Militar dentro do câmpus Butantã da Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste da capital, na noite de anteontem. Os jovens são acusados de realizar assaltos na região da universidade.

Segundo a polícia, os adolescentes foram vistos andando de bicicleta na Cidade Universitária, mas fugiram ao ser abordados. Durante a perseguição, os policiais teriam visto quando um deles jogou um objeto no chão.

Enquanto fugiam, um dos adolescentes [correu para dentro de um prédio e entrou em uma sala de aula do Núcleo de Consciência Negra. Os alunos e o professor que estavam na sala no momento da ação ficaram assustados quando um policial entrou armado no local. A ação foi filmada por um dos estudantes.

O vídeo,divulgado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), mostra o policial armado rendendo o jovem, que diz que “não está com nada” e chega a levantar a camiseta para provar que não está armado.Durante a abordagem, o menino ainda diz que foi ameaçado pela policial. "Você falou que ia me matar, eu te conheço",

Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) informou que os policiais fizeram uma diligência no local em que viram o objeto ser abandonado e encontraram um revólver calibre 38. Os adolescentes têm 15 e 17 anos e são irmãos.

A secretaria informou ainda que os meninos foram levados para o 91º Distrito Policial (Ceagesp), onde teriam sido reconhecidos como autores de roubos por vítimas. Eles foram encaminhados à Vara da Infância e Juventude e responderão por ato infracional.

A secretaria também afirmou que a ação dos policiais militares foi "correta tanto no ponto de vista legal quanto técnico". Disse ainda que "graças a essa atuação, dois infratores foram detidos e aquela arma de fogo não será mais usada para cometimento de crimes".

Marcelo Pablito, Secretário de Combate ao Racismo do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), disse que a entidade é contra a presença da polícia dentro do câmpus exatamente por causa de abordagens "abusivas e violentas" . "Somos contrários, justamente, porque a polícia tem uma ação truculenta, que persegue negros e pobres".

Maria José Menezes, coordenadora do Núcleo, disse que a ação da polícia foi “intempestiva” e colocou em risco a vida dos adolescentes, alunos e do professor. “O policial estava nervoso e é mal formado. Infelizmente, essa tem sido a regra e não a exceção nas ações policiais, o que coloca em risco a vida das outras pessoas. Vivemos uma sociedade que age para protegeros bens materiais, em detrimento da vida”.

José Antonio Visintin, superintendente de segurança da USP, disse que a ação dos policiais foi “correta e tranquila”e acompanhada pela Guarda Universitária. “Esses moleques fizeram barbaridades dentro da USP. Tinham assaltado dois estudantes da Poli [Escola Politécnica da USP] no mesmo dia”.

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