Poli-USP vai reservar 10% das vagas para seleção via Enem

Sisu vai ser usado pela universidade para selecionar candidatos para 1.819 vagas no próximo processo seletivo

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

20 Junho 2016 | 23h02

SÃO PAULO - A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) vai reservar 10% das 870 vagas no vestibular 2017 para seleção por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As 87 vagas serão de ampla concorrência, ou seja, sem reservar uma parte para alunos de escola pública ou autodeclarados pretos, pardos e indígenas (PPI).

O Sistema de Seleção Unificada, que centraliza as vagas para quem fez o Enem, vai ser usado pela USP para selecionar candidatos para 1.819 vagas no próximo processo seletivo, um aumento de 22,1% em relação ao ano passado, quando foram reservadas 1.489 vagas. Diferentemente da Poli, outras unidades destinaram vagas por cotas. Serão 1.065 para alunos de escola pública e 239 para PPI.

O número de vagas para o Enem pode ser ainda maior, já que algumas unidades, como a Faculdade de Medicina e Faculdade de Economia e Administração (FEA), ainda não informaram suas decisões. A adoção do sistema e a proporção de vagas ainda será referendada pelo Conselho Universitário, dia 28.

Com cursos que estão entre os mais concorridos da USP, a Poli havia rejeitado no ano passado utilizar o Sisu como forma de ingresso. Segundo José Roberto Piqueira, diretor da Poli, a recusa ocorreu porque a escola não tinha dados que mostrassem o impacto dessa forma de seleção no perfil dos alunos. “As universidades federais, que têm escolas de engenharia de alto nível, estão satisfeitas com seleção pelo Enem. Não consideram que essa seleção fez com que o aluno tivesse um perfil ruim ou pior desempenho.”

Piqueira afirmou que a seleção pelo Sisu no vestibular 2017 é um “experimento controlado” para os próximos três anos. “Nossa escola poderia receber alunos do País todo. Esse experimento tem a finalidade de aumentar nossa abrangência geográfica”, disse o diretor.

Segundo ele, a reserva de vagas para cotas sociais e raciais não foi discutida. “É um assunto importante, mas, como diz o Eclesiastes (livro bíblico): tudo tem seu tempo. A Poli é uma escola muito boa, tradicional, que desempenha papel muito importante no cenário brasileiro. Portanto, não pode estar sujeita a experiências feitas de afogadilho”, disse. Segundo Piqueira, a Poli não tem nenhum estudo sobre o impacto das cotas em outras universidades.

Elitização. Para alunos que estão em greve, reivindicando por cotas e políticas de permanência estudantil, o uso do Enem como seleção para a USP, especialmente sem reserva de vagas para candidatos de escola pública e PPIs, reforça ainda mais a “elitização” da universidade.

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