Ricardo Lima
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Polarização da política pode ser risco para universidade pública, diz reitor da Unicamp

'A gente vê um debate de se cobrar mensalidades, mas é um discurso muito raso', afirmou Marcelo Knobel

Renata Cafardo, Enviada especial a Salamanca

21 Maio 2018 | 16h22

O reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marcelo Knobel, disse nesta segunda-feira, 21, que a atual polarização da política pode ser um risco para a permanência das instituições de ensino superior públicas. “A gente vê um debate de se cobrar mensalidades, mas é um discurso muito raso”, afirmou em evento do Banco Santander na Universidade de Salamanca, na Espanha. “Dependendo do candidato que ganhar, tem um risco também no que se refere a questões de financiamento de permanência, de inclusão social.”

Para Knobel, que não citou nomes de candidatos, a universidade pública não é agenda das eleições. “Gastou-se muito em estádios para Copa e reclamam que colocamos R$ 1 bilhão no sincroton”, disse, sobre o laboratório de aceleração de partículas.

O brasileiro foi um dos que assinou nesta segunda, na Espanha, um compromisso de sete princípios para a educação superior no Brasil. O documento foi elaborado por reitores de universidades públicas e privadas do País que fazem parte do conselho do Universia, iniciativa do Santander para apoiar o ensino superior.

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A intenção, segundo o reitor da Universidade de São Paulo (USP), Vahan Agopyan, também presente ao encontro, é a de conscientizar a sociedade e os governos para a importância da educação. Entre os princípios estão excelência acadêmica, a valorização do professor, a responsabilidade social, as políticas integradas entre as instituições, o financiamento das universidades e de alunos, a redução da evasão e aumento da inclusão e o empreendedorismo. “A população tem de entender que com educação se resolve todos os outros problemas”, disse Agopyan.

Para o presidente do Banco Santander no Brasil, Sergio Rial, o documento é importante também por estar sendo lançado em um ano eleitoral. “Não há país desenvolvido no mundo que não tenha investido em educação. Esta faltando uma agenda concreta de educação, espero que isso venha de algum candidato.” O banco há mais de 20 anos dá bolsas e apoia outras atividades em universidades no mundo todo. Questionado do por que o Santander não investir em educação básica, Rial disse que a opção foi a de apoiar os "futuros líderes do País", os estudantes universitários, considerados "um segmento importante para o banco". 

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Os reitores de Unicamp e USP, assim como outros cerca de 110 dirigentes de instituições de ensino superior brasileiras, viajaram a convite do banco para o 4.º Encontro Internacional de Reitores Universia 2018. É a maior delegação no evento, que teve nesta segunda-feira a presença do Rei da Espanha, Felipe VI, e do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa. O português foi um dos mais aplaudidos no evento ao falar com emoção dos desafios do ensino superior. “Está nas mãos de vocês o futuro da sociedade e não na mão dos políticos”, afirmou à plateia de reitores de 26 países.

** A repórter viajou a convite do Banco Santander

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