DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

PM retira estudantes que ocupavam sede do Centro Paula Souza

Ocupação era feita por cerca de 30 alunos contra a PEC 241

Bruno Ribeiro e Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

03 Novembro 2016 | 20h22
Atualizado 04 Novembro 2016 | 08h00

SÃO PAULO - Cerca de 30 estudantes invadiram nesta quinta-feira, 3, a sede do Centro Paula Souza, no centro de São Paulo, em uma ocupação em apoio às manifestações de secundaristas contra a reforma do ensino médio e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que limita os gastos públicos. O grupo também cobrava liberação de mais verbas para as Faculdades de Tecnologia de São Paulo (Fatecs). 

A ocupação ocorreu às 17h30 e terminou pouco antes das 20 horas, quando a Polícia Militar invadiu o prédio e deteve os manifestantes. Havia a informação, não confirmada até 21h30, de que os ocupantes seriam levados para o 2.º DP (Bom Retiro). A polícia não jogou bombas para garantir a reintegração, mas estudantes gritaram que haviam levados golpes de cassetete. Ninguém da corporação se pronunciou a respeito.

A ocupação foi limitada ao prédio administrativo. Para terminar o ato, um grupo de policiais atraiu a atenção dos manifestantes, enquanto outro grupo os cercou, entrando por um acesso lateral. Jovens que acompanhavam a manifestação do lado de fora disseram que a PM novamente se valeu do entendimento do Estado de promover ações de reintegração de posse, mesmo sem mandado judicial, em caso de prédios públicos - a chamada autotutela. 

O quarteirão ao redor do Centro foi isolado. “Logo depois que a gente entrou já apareceu a primeira viatura”, contou uma estudante que ficou do lado de fora. Pessoas que alegavam morar nos prédios dentro da área isolada tiveram de aguardar o fim da ação. A chegada de um efetivo maior de policiais foi recebida com gritos pelos estudantes, que diziam que os PMs tinham de “bater em estudante” para “ter o que comer” . Também gritaram frases contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB), de quem cobraram Etec “igual à do comercial” . 

Ao saírem do prédio, os garotos tiveram de abrir as mochilas e se identificarem. As barracas de acampamento que trouxeram, e já estavam armadas, foram desmontadas por policiais. Dentro do edifício administrativo, os funcionários trabalharam normalmente, como se o lugar não tivesse sido ocupado.

Reivindicações. De acordo com Henrique Domingues, presidente do Diretório Central dos Estudantes das Fatecs, há três anos o governo estadual mantém o mesmo valor de investimento para as políticas de assistência aos alunos de baixa renda. “É muito pequeno e insuficiente. Por isso, as Fatecs têm uma taxa de evasão de mais de 60%. E o governo não faz nada para reverter isso.”

Procurada, a Assessoria de Imprensa do Centro Paula Souza (CPS) informou que os estudantes foram retirados pacificamente pela Polícia Militar duas horas depois da invasão e não teriam chegado a apresentar suas reivindicações ao CPS. “E não é verdade que a evasão nas Fatecs seja de 60%. A desistência varia para cada um dos 72 cursos e em nenhum caso se aproxima desse patamar.” 

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