PM mobiliza tropas para cumprir eventual reintegração de posse na USP

Justiça determinou que alunos saiam da reitoria até as 23h desta segunda-feira; estudantes fazem assembleia

Bruno Paes Manso, O Estado de S. Paulo

07 Novembro 2011 | 21h38

A pedido da Justiça, a Polícia Militar está mobilizada para cumprir uma eventual reintegração de posse do prédio da reitoria da USP, a partir das 23h desta segunda-feira. A solicitação foi feita nesta tarde pela juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti, da 9.ª Vara da Fazenda Pública.

 

“Vamos mobilizar as tropas, mas não significa que a polícia vá entrar assim que o prazo das 23h vencer”, afirmou o coronel Álvaro Batista Camilo, comandante-geral da PM. “Vamos estudar o melhor momento e ainda temos esperança de uma solução pacífica. Legalmente, a reintegração de posse pode ser feita em qualquer horário.”

 

A negociação entre representantes da reitoria da USP e os estudantes que ocupam o prédio central da Cidade Universitária pouco avançou na reunião desta tarde. Um movimento iniciado por cerca de 300 pessoas ocupa o prédio da administração desde a última terça-feira e o prazo final para que deixem o local, fixado em acordo com a Justiça no sábado, termina às 23h.

 

“Saímos descontentes com a proposta da reitoria. Quase não houve mudanças em relação à última reunião. Se a plenária confirmar, os estudantes devem continuar no prédio”, disse Rafael Alves, um dos representantes dos alunos, que reivindicam a saída da Polícia Militar do câmpus. “Caso haja violência contra os estudantes por parte da PM, o único responsável será o reitor.”

 

De acordo com os estudantes, seria necessário um quórum mínimo de 390 pessoas para que pudesse ocorrer nesta noite uma assembleia para definir o futuro do movimento. Como o quórum não estava confirmado até as 20h e uma eventual saída da reitoria teria de passar por essa plenária, dificilmente o prazo estipulado pela Justiça será cumprido pelos estudantes.

 

À tarde, alunos faziam panfletagem para divulgar o calendário do movimento. Nesta terça-feira, às 14h, passeata partirá da frente da reitoria ocupada. Na quarta-feira está marcada uma nova uma assembleia no local.

 

Propostas

 

Ao contrário do que afirmam os alunos que ocupam o prédio, o professor Wanderley Messias da Costa, diretor de Relações Institucionais da USP, afirmou que a universidade cedeu em relação à proposta feita no último sábado.

 

Segundo Costa, a reitoria se compromete a não punir funcionários e alunos que sofrem processos administrativos relacionados a questões políticas com origem em protestos anteriores.

 

No sábado, o compromisso da reitoria, de acordo com o professor Costa, era apenas que fosse criado um grupo de trabalho para rever os processos de funcionários e estudantes. Para ele, a mudança representa uma evolução nas negociações.

 

Os representantes da USP, que dariam a negociação por encerrada no fim do prazo fixado pela Justiça, também confirmaram a disposição de criar um outro grupo de trabalho misto - com representantes de funcionários e estudantes - para rever os procedimentos da Polícia Militar na USP. “Mas está fora de cogitação a retirada da PM”, afirmou Costa, fazendo coro ao reitor João Grandino Rodas.

 

Na assembleia da última quinta-feira, os estudantes votaram que só deixariam a reitoria caso três pontos do movimento fossem contemplados: a retirada da PM, a revogação do acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) e a retirada dos processos contra funcionários e trabalhadores.

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