Giovana Morais
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PM detém 8 alunos após ocupação de escola na zona leste

Segundo a polícia, estudantes praticavam 'depredação ao patrimônio público' após entrarem na unidade, por volta das 6h

Luiz Fernando Toledo e Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

24 Novembro 2015 | 10h15

Atualizada às 21h47

Oito adolescentes foram apreendidos nesta terça-feira, 24, enquanto ocupavam a Escola Estadual Antonio Firmino de Proença, na Mooca, zona leste de São Paulo. Com 151 escolas invadidas em todo o Estado contra a reorganização da rede, é a primeira vez que estudantes são apreendidos. Depois de serem levados à delegacia, eles foram liberados. 

Nesta terça, começou o Saresp, principal avaliação de qualidade da rede estadual. A Secretaria da Educação já havia anunciado que a prova seria cancelada nas unidades ocupadas – no mesmo dia, mais 43 escolas foram tomadas por alunos.

A reorganização, anunciada pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) em setembro, prevê o fechamento de 93 escolas e a mudança de ciclos em 754 unidades para que tenham apenas uma etapa de ensino. A medida tem sido alvo de protestos diários de alunos e professores.

Nas redes sociais, os estudantes se organizaram para boicotar a prova. Nesta terça, diversos jovens compartilharam nas redes fotos dos gabaritos das provas com mensagens contra a reorganização. Segundo a secretaria, o Saresp foi feito em 97% das escolas da rede. O resultado da prova compõe o Idesp, principal indicador de qualidade da rede estadual. Esse índice também é usado para calcular os bônus pagos a professores e funcionários. A secretaria ainda não informou como o bônus será calculado para as escolas que tiveram a prova cancelada.

Mooca. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a Polícia Militar foi chamada às 6 horas na escola Antônio Firmino após denúncia de depredação. Os policiais teriam constatado o rompimento de um portão e a tentativa de arrombamento da diretoria. Por isso, os alunos teriam sido apreendidos. Eles negam qualquer dano ao prédio.

Um vídeo, gravado pelos próprios alunos, mostra o momento em que quatro policiais pularam o muro da escola para apreender os estudantes.

Às 7 horas, a entrada na escola foi liberada para professores e alunos. O Saresp foi realizado, mas às 10 horas o colégio foi novamente ocupado. Os alunos do período da tarde, que são do ensino fundamental 2 e têm entre 11 e 14 anos, chegaram por volta das 12 horas e não sabiam da ocupação. Não havia funcionário para orientá-los e informar que as aulas do dia estavam suspensas, por isso, eles ficaram sozinhos na frente da escola, sem saber o que fazer.

A secretaria lamentou que a ocupação tenha impedido a realização das aulas, mas não informou por que nenhum funcionário orientou os alunos da tarde sobre a suspensão das atividades.

Tablets. Dez tablets foram furtados da escola Cleóbulo Amazonas Duarte, em Santos, ocupada por estudantes há seis dias. Os equipamentos estavam na sala da diretoria. Funcionários notaram a falta dos equipamentos na manhã desta terça, depois de perceberem que a fechadura da sala havia sido violada. A Apeoesp, sindicato dos professores que apoia a ocupação, informou que os estudantes não têm acesso às dependências administrativas da escola.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse que só o diálogo será capaz de superar o impasse das escolas ocupadas em São Paulo. “A situação atual prejudica a todos e há uma tensão muito grande. Isso não pode continuar, os alunos não podem ficar tanto tempo sem aula.” / COLABORARAM JOSÉ MARIA TOMAZELA e JULIA LINDNER, ESPECIAL PARA O ESTADO

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