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Placa em homenagem a Michel Foucault é retirada da PUC

Objeto foi colocado no prédio por autor desconhecido em meio a polêmica de criação de cátedra ao pensador

Isabela Palhares - O Estado de S. Paulo

31 Maio 2015 | 15h47

A placa em homenagem ao filósofo Michel Foucault, afixada na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) na última sexta-feira, 29, foi retirada do prédio central da instituição. A manifestação, feita por autor ainda desconhecido, foi mais um ato em protesto contra a decisão do Conselho Superior da universidade que negou a criação de uma cátedra ao pensador. 

Em nota, o Centro Acadêmico da Filosofia da instituição repudiou a retirada da placa e pediu a devolução. O objeto tinha o nome e data de nascimento do pensador, com a mensagem "vive aqui". No final da tarde deste sábado, 30, a placa já não estava mais afixada no prédio central, próximo a reitoria.

A cátedra universitária é uma instância acadêmica destinada a fomentar o debate em torno de algum pensador ou teórico e para a preservação e atualização de seu trabalho. Foucault é conhecido por suas críticas às instituições sociais, entre elas a Igreja Católica. Além disso, era homossexual e foi uma das primeiras figuras públicas francesas a morrer por complicações da aids.

 Segundo representantes da Associação de Professores da PUC (Apropuc), a recusa do Conselho Superior teria sido motivada pelo fato de as ideias de Foucault não estarem em consonância com os princípios católicos. No entanto, a justificativa da decisão não foi formalmente apresentada. O conselho superior é o órgão deliberativo máximo da PUC-SP, formado pela reitora Ana Cintra, cinco bispos auxiliares da Arquidiocese de São Paulo e o cardeal d. Odilo Scherer. 

A cátedra foi proposta à universidade em 2011, quando iniciaram as negociações para que recebesse a doação de uma coletânea de áudios de aulas de Foucault no Collège de France, entre 1971 e 1984. Os áudios já estão disponíveis na biblioteca do Departamento de Filosofia da PUC desde 2012. A universidade até montou uma plataforma eletrônica para oferecer os áudios para alunos e pesquisadores e evitar a reprodução e degradação dos arquivos. Caso não seja criada a cátedra, a universidade pode perder os áudios. 

O Conselho Universitário entrou com um recurso contra a decisão, que ainda não foi avaliado pelo Conselho Superior.

A assessoria da PUC não foi localizada neste domingo, 31, para comentar a retirada da placa.

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