Pisando no freio

Primeiro do ranking nacional do Enem, Vértice quer limitar expansão e manter filosofia de salas pequenas

Larissa Linder, Especial para o Estado, Estadão.edu

14 Outubro 2010 | 00h54

Marco Logar (à esq.) conversa com o ex-aluno do Vértice Maximilian Paschoal

 

“A quadra está no mesmo lugar”, constata o advogado Maximilian Paschoal, de 39 anos, ao chegar ao Colégio Vértice, no Campo Belo, mais de duas  décadas depois de sua formatura. “Foi o professor Marcão quem me trouxe para estudar aqui.”

 

Marco Logar, o Marcão, de 58, era professor de educação física em outro colégio, na Vila Mariana, na época da fundação do Vértice. Com a desculpa de fazer os treinos esportivos em um lugar diferente, Marcão aos poucos levou Max e mais 15 alunos da escola onde dava aulas e formou a primeira turma de ensino médio do  colégio. “Um dia falei: vocês querem estudar de verdade, para valer?”, lembra o professor, hoje integrante da diretoria do Vértice.

 

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Foi o próprio Max quem decidiu mudar de escola, ainda que o novo colégio fosse mais longe de sua casa e pouco conhecido. “Quando falei que ia para o Vértice, todos se espantaram”, conta. Hoje, o Vértice tem fama nacional. Depois de figurar por quatro anos seguidos em primeiro lugar do ranking do Enem em São Paulo, este ano encabeça a lista nacional.

 

A turma de Max no ensino médio tinha 23 alunos. “O que mais me recordo daqui é das salas pequenas, diferente da escola anterior e das outras em geral”, diz. “Não tinha espaço para a turma do fundão.” Além de pequenas, as salas de aula do Vértice são largas e não deixam espaço para os mais bagunceiros.  Nesse ambiente, regras e hábitos são termos levados a sério.

 

Enquanto passeiam pelo labirinto de paredes amarelas – segundo o professor, a cor foi escolhida por ser “estimulante” para os alunos –,  Marco chama a atenção de um aluno aqui e ali. “Ricardo, devolve o brinquedo”, diz para um menino de 3 anos. “Não tenho filhos. Nem precisa, aqui tenho 900.”

 

Max diz que o jeito paternal e austero é uma característica marcante do professor. “Sempre confiamos muito nele, inclusive nossos pais. Era rígido nas aulas, mas não deixava de ter carisma.”

 

Para o professor, Max sempre foi um menino focado e esforçado. “Educado nem preciso dizer: isso você percebe nos primeiros 5 minutos em que fica com ele.”

 

O professor acredita que existe uma visão equivocada sobre o Vértice. “Acham que aqui só se estuda, mas não é verdade. Eles são adolescentes como outros”, garante Marcão. “Lembra que a gente pulava esse muro para ir almoçar ali na esquina?”, pergunta Max. “O muro agora é alto, não dá mais para pular, mas o restaurante continua excelente”, diz o professor.

 

“Foi muito bom voltar aqui e lembrar de onde vim”, diz Max, que se formou em Direito na USP e hoje é sócio do escritório de advocacia Pinheiro  Neto, um dos maiores de São Paulo. Seu ex-professor diz que, assim como Max, muitos alunos da primeira turma da escola se graduaram em universidades de  prestígio e têm hoje carreiras bem-sucedidas.

 

O advogado nota que a área ocupada pelo Vértice cresceu. “Aumentou, não tinha isso tudo.” A escola comprou casas vizinhas e as transformou em salas de aula. “Mas decidimos que não vamos crescer mais. Para manter nossa filosofia de ambiente familiar, temos que limitar”, conta o professor. 

 

FRASES

 

"Nós decidimos que não vamos crescer mais. Percebemos que, para manter nossa filosofia de ambiente familiar, temos que limitar"

Marco Logar, professor

 

"O que mais me recordo daqui é das salas pequenas, diferente da minha escola anterior. Não tinha espaço para a turma do fundão"

Maximilian Paschoal, ex-aluno

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