Reprodução/Blog E.E. Dimas Mozart e Silva
Reprodução/Blog E.E. Dimas Mozart e Silva

Pior escola estadual de SP no Enem é finalista em prêmio internacional

Dirigente se mostrou surpresa com o resultado e destacou nota da escola no Ideb, que quase alcança meta para 2021

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2016 | 03h00

SOROCABA - A Escola Estadual "Professor Dimas Mozart e Silva", de Taquarituba, interior de São Paulo, que obteve a pior média do Estado no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), está entre as dez finalistas do mundo em um concurso internacional sobre energia limpa. A dirigente regional de Ensino, Lucimeire Gomes Mendonça, citou o fato para mostrar o quanto o resultado do Enem causou surpresa ao corpo docente da escola. "Ontem (segunda), recebemos com alegria a notícia de que os trabalhos da nossa escola estão na reta final da disputa por um prêmio internacional relevante. Hoje (terça) veio essa notícia da má posição no Enem. É algo que nos surpreende", afirmou.

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Ela se referia ao Prêmio Zayed de Energia do Futuro para a categoria Escolas Secundárias Globais, ao qual concorrem escolas de ensino médio com alunos entre 11 e 19 anos de idade dos cinco continentes. A Professor Dimas é a única escola brasileira na reta final do concurso que dará à vencedora US$ 100 mil. "Um professor e dois alunos nossos irão para Dubai em janeiro para defender o projeto, que foi todo desenvolvido na escola e trata da produção de energia limpa e renovável", disse. Para a dirigente, isso mostra que a escola está evoluindo, ao contrário do que indica o resultado do Enem.

No Enem de 2011, a escola de Taquarituba já havia tido o pior desempenho do Estado. Na ocasião, a nota ficou abaixo da média nacional. A partir desse resultado, foi feito um trabalho para melhorar a posição no ranking. "O que nos dá a certeza de que estamos evoluindo é que no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) a meta para 2021 é nota 5 e já estamos com 4,9", disse. De acordo com Lucimeire, dos 55 alunos que fizeram a prova no ano passado, 29 prestaram o exame no sábado e 27 no domingo. Ela acha que alguma prova pode ter sido entregue incompleta.

A Professor Dimas fica na Vila São Vicente, próxima do centro, mas recebe muitos alunos que trabalham nas lavouras, já que a cidade, de 22,3 mil habitantes, é essencialmente agrícola. Pai de um aluno do terceiro ano do ensino médio, o produtor rural Valdecir Gomes da Silva diz que o filho divide o estudo com o trabalho na lavoura. "Não posso abrir mão da ajuda dele, mas também não quero que perca as aulas, por isso às vezes ele vai cansado para a escola." Conforme Silva, quando o filho deixa de comparecer, funcionários da escola entram em contato para saber se há algum problema.

A escola estadual atende 426 alunos do ensino fundamental e médio em três turnos. Os estudantes têm acesso a computadores com internet, laboratório de informática, biblioteca, cozinha com refeitório e quadra coberta. No início deste ano, um aluno morreu quando praticava esportes na quadra da escola. Ele teve uma parada cardíaca, foi socorrido, mas não resistiu. Segundo a dirigente, houve grande corrente de solidariedade dos demais alunos em relação à família. "Apesar de ter sido um acontecimento trágico, serviu para mostrar que há um engajamento entre os estudantes", disse.

 

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