PF vê 'indícios' de que vazamento do Enem 'tem fundamento'

De acordo com o professor, estudante teria dito que tema da redação havia sido vazado em São Raimundo Nonato (PI)

Angela Lacerda, Especial para o Estadão.edu

09 Novembro 2010 | 18h45

A Polícia Federal de Juazeiro (BA) iniciou na segunda-feira, dia 9, as  investigações preliminares para apurar denúncia de suposto vazamento do tema da redação do Enem, a partir de denúncia feita por professores de um curso pré-vestibular de Petrolina (PE). A cidade, a 769 quilômetros do Recife, é separada de Juazeiro (BA) pelo Rio São Francisco. "Há indícios de que a história tem fundamento", observou o delegado federal Alexandre de Almeida Lucena.

 

O delegado colocou uma equipe para fazer um levantamento inicial do ocorrido e coletar nomes de professores e alunos a serem ouvidos. O passo seguinte, se a história tiver consistência, será a instauração de inquérito policial. "Neste caso, vamos buscar saber como se deu (o suposto vazamento) e se alguém recebeu vantagem", afirmou o delegado.

 

Mais de uma hora antes do início da prova do Enem, no domingo, um grupo de estudantes que faria a prova procurou os professores do Curso Geo Petrolina Pré-Vestibular que haviam montado um ponto de apoio para tirar dúvidas e esclarecer candidatos, próximo à Universidade de Pernambuco (UPE) e da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas de Petrolina (Facap), locais de realização do concurso. Os candidatos pediam ajuda para desenvolver a redação se o tema fosse "trabalho e escravidão".

 

De acordo com o professor de português Marcos Freire, um dos estudantes, aluno do curso Geo, disse que o tema da redação havia sido vazado em São Raimundo Nonato (PI) e que ele tinha recebido a informação.

 

O boato se espalhou e outros candidatos recorreram aos professores. "Na hora não acreditei na história do vazamento, mas atendemos aos alunos, discutindo o tema", disse o professor Marcos Freire.

 

Os professores Ramón Bandeira e Diego Alcântara também desempenharam o mesmo trabalho, discutindo o assunto com os estudantes, de acordo com o coordenador do Curso Geo, Nivaldo Moreira.

 

 

Depois da prova, veio a preocupação dos professores, ao saber da confirmação do tema Trabalho na Construção da Dignidade Humana, com dois textos de apoio, trabalho escravo e futuro do trabalho. "A questão é séria e terminamos nos envolvendo por não termos dado a devida dimensão ao fato", avaliou Freire.

 

A OAB teve notícia do caso e está averiguando, "com cautela", as informações. A PF investiga a história.

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