PF vai investigar vazamento de exame da OAB-SP

Professor de cursinho teria vazado questões; entidade pode ressarcir candidatos que tiveram de se deslocar

Rodrigo Martins e Gilberto Amendola, de O Estado de S.Paulo,

09 de dezembro de 2007 | 17h13

A fraude na primeira fase do exame da Ordem de Advogados do Brasil (OAB) será investigada pela Polícia Federal, segundo o presidente da seção São Paulo da entidade, Luiz Flávio Borges D’Urso. A prova foi cancelada às pressas na noite de sábado, após denúncia de que um professor de cursinho havia vazado questões para os alunos. Mesmo com a divulgação da notícia por rádio e televisão, cerca de 10% dos 25 mil inscritos compareceram aos locais da prova na manhã de ontem, segundo a OAB-SP.   Veja Também OAB-SP adia primeira fase para 2008 OAB-SP suspende exame por suspeita de fraude   Em entrevista coletiva, D’Urso disse ter recebido uma ligação na tarde de sábado, informando-o de que um professor de um cursinho preparatório para o exame havia divulgado, em sala de aula, questões que "com certeza" cairiam na prova. "Depois, essa pessoa me enviou sete ou oito dessas perguntas por e-mail", contou D’Urso, sem revelar o autor da denúncia. "Checamos e descobrimos que duas eram questões, na íntegra, da prova e o restante era partes de outras perguntas."   Para D’Urso, não há dúvidas de que houve fraude. "Por isso a prova foi cancelada." Ele disse, entretanto, que não sabe o nome do cursinho ou do professor que revelou as questões. "Mas a pessoa que me fez a denúncia certamente sabe."   O procurador-geral do Ministério Público Estadual, Rodrigo Pinho, já foi procurado pela entidade para esclarecer o caso. Agora, o assunto deve ir para a Polícia Federal. A documentação recebida por D’Urso via e-mail deveria ser enviada hoje à PF.   O exame da OAB é obrigatório para exercer a profissão de advogado. A primeira fase é composta por 100 perguntas de múltipla escolha. Segundo D’Urso, as questões são sugeridas por professores e advogados de renome.   Um novo exame será marcado para o ano que vem (sem data prevista). A segunda fase, que seria realizada no dia 20 de janeiro, também será adiada. A taxa de R$ 180 não precisará ser paga novamente. A entidade estuda ressarcir quem precisou se deslocar de sua cidade para fazer a prova na capital.     Surpresa   O cancelamento pegou muitos candidatos de surpresa. Por volta das 7h de ontem, centenas de pessoas se aglomeravam na entrada das faculdades FMU (na Av. Liberdade) e UNIP (unidade Vergueiro). "Como assim não vai ter exame? Fraude?", perguntava Ana Cristina Velami, 37. "Eu voltei da praia só pra fazer esse teste. Que absurdo."   Muita gente que ficou sabendo do cancelamento pela mídia também preferiu não arriscar e foi até o local indicado para o teste. "Uma amiga tinha visto a notícia na televisão e eu tentei confirmar no site da entidade. Como não tinha nada, decidi vir até a porta só para me garantir", disse Alex Novac, 34.   Candidatos tiraram fotos, com o celular, do comunicado afixado no portão da FMU. "Imagina se eu vou embora e eles resolvem liberar a entrada", disse Novac. Segundo a OAB-SP, por problemas técnicos, a notícia do cancelamento só entrou em seu site às 23h30 do sábado.L

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