PF admite apurar denúncia de novo vazamento no Enem

Estudante disse a pelo menos seis alunos e uma professora que tinha gabarito antes da prova e acertou 172 questões

Tiago Décimo, O Estado de S. Paulo

26 Novembro 2010 | 19h44

A Polícia Federal em Juazeiro, na divisa da Bahia com Pernambuco, admite iniciar nova investigação para apurar o suposto vazamento das provas do Enem em Petrolina (PE), denunciado por estudantes e professores da cidade. No início da semana, a PF comprovou que houve vazamento do tema da redação, por parte de dois professores de Remanso (BA), município da região, que passaram a informação ao filho, que prestava a prova em Petrolina. Os professores foram indiciados e o filho teve o exame anulado.

 

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De acordo com seis alunos e uma professora ouvidos pela reportagem, um estudante de 17 anos que prestou o concurso ofereceu a colegas do cursinho que frequentava, em Petrolina, as respostas do exame, no dia anterior ao início das provas. Eles dizem ter encarado a proposta como brincadeira, porém, após a divulgação do gabarito oficial, o adolescente mostrou aos colegas a pontuação (acertou 172 das 180 questões) e se gabou do resultado. "Eu avisei, mas vocês não quiseram..."

 

Segundo o delegado Enzo Rebelo, da PF em Juazeiro, as reportagens publicadas pelo Estado na quinta e nesta sexta-feira dão informações suficientes para que uma nova investigação seja iniciada. "Não é necessário que haja uma queixa formal para que possamos começar a entrevistar os envolvidos, basta que haja indícios suficientes do delito, o que parece haver", diz. De acordo com ele, as reportagens foram separadas e a apuração deve ter início na segunda-feira.

 

Segundo a professora de redação Vera Lúcia Medeiros, diretora do Curso Tema, de Petrolina, as testemunhas dos fatos não prestaram queixa formal sobre o caso por discordarem da forma como as acusações estão sendo tratadas.

 

"Não defendo o que esse aluno fez, claro, mas minha intenção não é prejudicar este ou aquele estudante, como se esses fossem casos pontuais e isolados", diz. "Se houvesse garantia de que essas informações resultariam na moralização do processo como um todo, não haveria problema nenhum em prestar queixa. O que não quero é ver mais uma pessoa lançada na 'fogueira de inquisição' que está sendo montada."

 

Diversos alunos usaram telefones celulares durante as provas, um vazamento já foi provado pela Polícia Federal, várias pessoas tiveram acesso ao tema da redação e só um estudante - e os pais dele - foram punidos. O processo todo deveria ter sido refeito, com muito mais cuidado."

 

Segundo o promotor Alfredo Carlos Gonzaga Falcão Júnior, do Ministério Público em Petrolina, o inquérito sobre o vazamento do tema da redação, que resultou no indiciamento dos professores Marenilde Brito Affonso e Eduardo Ferreira Affonso, chegou a seu gabinete nesta sexta-feira e ele só vai se pronunciar sobre os casos na semana que vem.

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