PF abre inquérito para apurar violação de prova do Enem

Vazamento do conteúdo da prova - confirmado pelo MEC - foi revelado pelo jornal O Estado de S.Paulo

Vannildo Mendes, de O Estado de São Paulo,

01 Outubro 2009 | 11h43

A Polícia Federal informou nesta quinta-feira, 1, que por ordem do ministro da Justiça, Tarso Genro, vai abrir inquérito em São Paulo para investigar a violação do segredo da prova do Enem de 2009, que seria realizada no próximo fim de semana.

Um delegado da Superintendência da PF em São Paulo será designado para comandar a investigação. O vazamento do conteúdo da prova - confirmado hoje pelo Ministério da Educação - foi revelado ao MEC pelo jornal O Estado de S.Paulo.

A decisão de cancelar a prova foi tomada pelo ministro Fernando Haddad após ter sido alertado pela reportagem de O Estado de S. Paulo sobre a quebra do sigilo do exame. "Há fortes indícios de que houve vazamento, 99% de chance", afirmou o presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, por volta da 1h, por telefone.

'A nossa sorte é que as pessoas que cometeram o crime de roubar um exemplar da prova eram pessoas amadoras, que levaram ao conhecimento do jornal O Estado de S. Paulo o fato de terem subtraído esse exemplar e tentarem executar a venda para o jornal', afirmou o ministro.

Na tarde de quarta-feira, 30, o jornal foi procurado por um homem que disse, ao telefone, ter as duas provas que seriam aplicadas no sábado e no domingo. Propôs entregá-las à reportagem em troca de R$ 500 mil. "Isto aqui é muito sério, derruba o ministério", afirmou o homem.

O Estado consultou rapidamente o material, para checar sua veracidade, sem se comprometer com a compra. Haddad, que diz nunca ter tido acesso ao conteúdo da prova, confirmou o vazamento ao consultar técnicos do Inep, órgão do ministério responsável pelo Enem. A comprovação da fraude se baseou em elementos repassados ao ministro pela reportagem, via telefone e e-mail. As questões originais estavam guardadas em um cofre, que foi aberto ontem à noite para confirmar a informação.

Com Renata Cafardo e Sérgio Pompeu, de O Estado de S. Paulo

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