Pesquisadores de núcleos de excelência querem privilégios, diz ministro

O ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, afirmou na quarta-feira que o objetivo dos cientistas que se opõem às mudanças no Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex) é "manter privilégios". Irritado, rejeitou as críticas recebidas da comunidade científica e defendeu a divisão com os Estados do processo de seleção dos grupos de pesquisa que buscam financiamento para projetos."Estamos quebrando anéis de poder, por isso a reação autoritária daqueles que acreditam que a ética é exclusiva de um grupo de cientistas", acusou.Em entrevista distribuída na terça-feira pela Agência Estado, o físico Carlos Alberto Aragão de Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que pediu demissão da Comissão de Coordenação do Pronex após as mudanças, afirmou que a alteração promovida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) "abre caminho para a aprovação de projetos por razões políticas"."Processo mais democrático"Para o ministro, os que defendem a centralização das decisões na comissão, que desde 1996 é responsável pelo rígido processo de seleção e avaliação dos núcleos de excelência, "acham que o resto do País é o cocô do cavalo do bandido". Agora a decisão também caberá às Fundações de Amparo à Pesquisa dos Estados (FAPs).Amaral argumentou que a descentralização "é uma forma de progresso, de tornar o processo mais democrático". Com a alteração, só serão liberadas verbas para os grupos de pesquisa se houver contrapartida dos Estados onde eles têm seu núcleo. A aprovação dos editais e definição dos recursos financeiros, antes exclusivas da comissão, serão feitas em conjunto com as FAPs.Pesquisadores argumentam que isso vai descaracterizar o programa e pôr em risco sua sobrevivência. Desde 1996, foram destinados R$ 180 milhões a 206 grupos de pesquisa, que reúnem cerca de 3.500 cientistas de 20 Estados.

Agencia Estado,

07 de agosto de 2003 | 11h37

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