Pesquisadora defende uma educação artística que valorize todos os códigos

Para Anna Mae Barbosa, ir à Bienal é uma 'alfabetização cultural'

Luciana Alvarez, O Estado de S. Paulo

19 Abril 2010 | 10h30

Primeira pesquisadora no Brasil a se preocupar com a sistematização do ensino de artes em museus, Anna Mae Barbosa defende uma educação artística que valorize os diversos códigos. Ela é professora no mestrado de Design, Arte e Tecnologia da Universidade Anhembi Morumbi.

 

Por que crianças e jovens devem ir à Bienal?

É uma alfabetização cultural. Para alguém ser considerado culto, precisa conhecer diversos códigos culturais. O da Bienal é um deles, o das elites. O que cada comunidade faz também é relevante. Mas ninguém chega ao poder sem conhecer o erudito.

 

Por isso a educação artística é importante?

Depende. Discordo de uma educação artística que só valorize certos códigos. Isso não ajuda o jovem na formação da consciência sobre sua identidade. A boa educação artística é aquela que dá uma visão ampla, sem negar o código local. Deve incluir o ver, o contextualizar e o fazer. Ela mobiliza o indivíduo em todos os níveis, intelectual, emocional, sensorial, afetivo. Também é importante trazer a arte para a vida, para que ela possa fazer sentido.

 

Para o meio artístico e os artistas, qual a relevância de um programa educacional amplo?

Já vi artista dizendo que não se importa com o público que não tem dinheiro para comprar suas obras e curadores alegando que arte não se explica. Mas vejo que a função da arte é mobilizar o pensamento, tirar as pessoas do óbvio, fazer com que o público interprete. Isso é o processo criador. A arte é um conceito expandido.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.