Pesquisador identifica constelações indígenas

Durante mais de dez anos o professor de física da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Germano Bruno Affonso reconstituiu as constelações conhecidas pelos povos indígenas do Brasil, principalmente os tupinambás. Registradas em relatos antigos, escritos principalmente entre os séculos 16 e 17, as constelações são lembradas ainda hoje por alguns índios, apesar da lenta perda desses conhecimentos.Elas eram uma referência para a marcação do tempo, das estações do ano e como pontos de orientação geográfica. "As constelações indígenas, muitas vezes, incluíam em sua formação manchas da Via Láctea, chamada por muitas tribos como o Caminho dos Espíritos ou o Caminho da Anta", diz Affonso.Cem grupos de estrelasEntre as principais constelações encontradas, destacam-se a de Ema, Anta, Homem Velho e Veado, de um total de cerca de cem grupos de estrelas. A cultura ocidental reconhece, atualmente, a existência de 88 constelações.Para recolher depoimentos dos índios, o cientista percorreu boa parte das atuais reservas indígenas do País. A pesquisa teve como estímulo inicial a leitura do relato do padre francês Claude d´Abbeville, escrito no século 17.Conclusões na SBPCCada constelação traz um significado, como a do Homem Velho, que indica o início do verão ou das chuvas (estação das águas). Entretanto, muitas das constelações indígenas são formadas por estrelas que formam as constelações da cultura ocidental, como a de Ema, cuja cabeça é formada por partes do conhecido Cruzeiro do Sul enquanto seu pescoço é formado pelas estrelas Alfa e Beta Centauro.As conclusões do trabalho de Affonso foram apresentadas para a comunidade científica na conferência Contribuições Nativas para o Conhecimento, como parte da programação oficial da 55ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

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