Pesquisa mostra desempenho 'insatisfatório' de alunos e currículo dos professores

'Boletim da Educação no Brasil' apontou bons resultados apenas nas matrículas, que aumentaram sensivelmente

Mariana Mandelli , de O Estado de S. Paulo,

02 Dezembro 2009 | 00h01

Os setores da educação básica em que o Brasil está mais atrasado são o desempenho dos alunos, a carreira dos professores e os padrões educacionais - como o currículo dos docentes. Eles foram classificados como insatisfatórios pelo primeiro Boletim da Educação no Brasil, organizado pela Fundação Lemann e pelo Programa de Promoção da Reforma Educativa na América Latina e no Caribe (Preal).  Com o título de "Saindo da Inércia", o boletim, apresentado nesta terça-feira, 1, em São Paulo, reuniu dados sociais e educacionais que foram consolidados em nove indicadores. A cada um deles, uma comissão de 15 especialistas atribuiu uma nota média. O documento revelou bons resultados apenas nas matrículas, que aumentaram sensivelmente, e nos sistemas de avaliação de ensino, que se mostraram avançados. A permanência na escola, a equidade de acesso, os investimentos e a autoridade das instituições, além do desempenho, padrões educacionais e carreira dos docentes, receberam notas entre regular e insatisfatório.  O objetivo do documento é divulgar um diagnóstico da educação para a sociedade e o governo acompanharem o progresso da situação.  INÉRCIA EDUCACIONAL Especialistas acreditam que o País pode deixar a situação de inércia na área de educação, mas as mudanças devem ser feitas o mais rápido possível. "A situação é grave", afirma Jeffrey Puryear, diretor do Preal. "O País vai perder empregos no mercado global se não investir mais em educação." O economista da Universidade de São Paulo (USP) Fernando Coelho concorda. "O mercado valoriza cada vez mais o capital humano e nós temos falhas nesse setor." A diretora executiva da Fundação Lemann, Ilona Becskehàzy, também pede pressa nas mudanças. "O Brasil tem menos alunos que o México, por exemplo, mas o Produto Interno Bruto (PIB), a renda per capita e a cobrança de impostos são maiores. E mesmo assim, investe menos em educação", explica. "Temos que acelerar o processo, não é justo com as próximas gerações." Entre as maiores mazelas da educação brasileira, os educadores destacam justamente os pontos mal avaliados pelo boletim. "A formação dos professores é um dos piores aspectos, porque só pode ser resolvido a longo prazo", explica a educadora Guiomar Namo de Mello. A professora Eunice Ribeiro Durham, do Núcleo de Pesquisas de Políticas Públicas da USP (NUPPs), enxerga a situação de forma menos favorável. "Há um movimento (para melhorar a educação brasileira), mas o obstáculo é muito forte e não sei se será vencido", afirma. Boletim da Educação - Fundação Lemann

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