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'Pesquisa em empresas tem um ritmo diferente'

Cientista brasileiro no laboratório da GE na Alemanha fala sobre a chegada do centro de P&D da empresa no Brasil

Carlos Lordelo, Estadão.edu

29 Março 2011 | 01h22

Único brasileiro no Centro de Pesquisas Global da General Electric (GE) na Alemanha, o engenheiro Bruno Betoni Parodi, de 33 anos, comemora a chegada de um superlaboratório como o que ele trabalha em sua cidade natal, o Rio de Janeiro.

 

Ele aconselha a quem quiser se candidatar a uma vaga no polo tecnológico que invista em uma sólida formação aliada a experiência prática.

 

Leia abaixo a entrevista:

 

Qual a sua formação?

 

Fiz um curso técnico em Eletrônica no Cefet do Rio e depois me graduei em Engenharia Elétrica pela Escola Politécnica da USP. No mestrado, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), estudei robótica. Depois fiz outro mestrado, desta vez em TI, pela Universidade de Ciências Aplicadas de Mannheim, Alemanha. Por fim, fiz doutorado em processamento de sinais e inteligência artificial pela Universidade Helmut Schmidt, de Hamburgo, também na Alemanha.

 

Como você entrou na GE e como foi parar em Munique?

 

Meu contato com a Alemanha vem desde 1999, ainda na graduação, quando consegui uma bolsa para um intercâmbio de um ano na Universidade Técnica de Munique. Regressei ao país em 2002, para fazer o mestrado em TI, em parceria com a Siemens. Continuei na empresa para fazer o doutorado. No fim do doutorado, apareceu a proposta da GE. Fui o primeiro engenheiro elétrico a ser contratado para o laboratório onde trabalho. E aí acabei não regressando mais para o Brasil.

 

Qual a sua função no laboratório?

 

Sou o responsável por toda a parte de controle e robótica de um dos laboratórios, o de materiais compósitos. Desenvolvo e modifico robôs industriais para manufatura de materiais compósitos (como fibra de vidro ou carbono), equipamentos de instrumentação e processamento de materiais.

 

Como é ser um pesquisador da GE?

 

É uma experiência muito gratificante e também desafiadora. O trabalho em pesquisa em empresas tem um ritmo distinto da pesquisa em universidades. Busco constantemente conhecimentos adquiridos durante a formação básica, que muitos têm por inútil, acham que jamais irão precisar. Meu ferramental do dia a dia remonta a coisas que aprendi no 1.º ano da graduação até o fim do doutorado.

 

A diversidade de áreas de conhecimento científico necessárias à execução de um projeto forçam a expansão de conhecimento a outras áreas vizinhas que não pertencem a formação original. Acabo entrando na seara de engenharia mecânica, química, de materiais, de produção.

 

O centro de pesquisas aqui em Munique é interessante e singular também pelo aspecto global. Somos quase 200 engenheiros de mais de 30 países diferentes. No meu laboratório, tem gente de oito nacionalidades diferentes. A troca com colegas se dá não só no âmbito técnico mas também no cultural, o que é muito interessante.

 

Que dicas você daria para um pesquisador/estudante que está tentando uma vaga no laboratório do Rio?

 

Nunca pare de aprender. Use todas as oportunidades que aparecerem e não espere que elas caiam do céu. Ao contrário do que talvez possa se pensar, será dado o devido valor a quem tenha pós-graduação (mestrado, doutorado, etc.) e uma sólida formação aliada a experiência prática.

 

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