Pesquisa define perfil dos candidatos à Fuvest

A internet virou mesmo a queridinha dos vestibulandos da Fuvest. Prova disso é o resultado do questionário de avaliação socioeconômica da instituição, divulgado na semana passada. Quase 45% dos estudantes disseram que fazem uso freqüente da rede mundial de computadores. Esse porcentual, entre os estudantes entrevistados em 2002, ficava em torno de 39%. Não é difícil entender o motivo desse aumento. Afinal, além dos avanços da internet, a rede agora abriga sites que ajudam o vestibulando a estudar e a tirar suas dúvidas sobre dias das provas e os locais dos exames. Há tanto páginas oficiais, como a da Fuvest (www.fuvest.br), quanto as de cursinhos. Ainda de acordo com a pesquisa, a grande maioria dos estudantes (cerca de 75%) já tem computador em casa. Alguns possuem mais de um aparelho. Os que não têm acesso ao computador somam 24,5% dos entrevistados. O questionário socioeconômico também procura traçar um perfil dos alunos em termos educacional, racial e de classe. A maioria dos estudantes que se inscrevem no vestibular da Fuvest continua saindo de escolas particulares. Mais de 55% deles cursaram o ensino médio apenas na rede paga. Esse porcentual sofreu uma redução em relação ao ano passado, quando chegou a 56,3%. Já a quantidade de alunos vindos da rede pública estadual ou municipal subiu. Para 2003, eles são 55.583, ou 34,8% do total, ante os 48.203 inscritos para as provas no ano passado. ?Estudo em colégio público desde que me conheço como gente?, diz o vestibulando Alan Vinicius Lasko, de 17 anos, que vai tentar entrar em Jornalismo. ?O problema é que a rede pública não foi pensada para preparar o aluno para o vestibular. Temos grandes dificuldades quando, por exemplo, encontramos em provas perguntas muito conceituais. Ou a escola pública muda ou muda o vestibular, porque do jeito que está fica complicado passar.? Alan procura preencher essas lacunas freqüentando o Cursinho da Poli, gerido pelo Instituto Grêmio Politécnico da Universidade de São Paulo (USP) para Desenvolvimento da Educação. O cursinho foi fundado exatamente para ajudar as pessoas mais carentes a entrar na faculdade. ?Lá aprendo os conceitos e também as noções de cidadania?, afirma Alan. No que depender dele, é na USP mesmo que vai estudar. ?A ECA (Escola de Comunicações e Artes) é um sonho. Além de ser conceituada, ela é gratuita.? A pesquisa também procurou verificar o número de estudantes que já exercem algum tipo de atividade remunerada. Como resultado, descobriu-se que eles são minoria entre os que estão tentando a Fuvest. Quase 80% dos vestibulandos não precisam fazer a dobradinha entre trabalho e estudo. Já 15% dos inscritos são profissionais em período integral e alunos apenas durante a noite. Mas há ainda os que trabalham eventualmente ou em meio período. É o caso de Elisangela Soares Teixeira, de 18 anos, que pretende cursar História. Aos fins de semana e em alguns dias úteis ela está na recepção de um clube de campo. ?Quase sempre consigo dar um jeitinho para não trabalhar durante a semana, para não atrapalhar os estudos?, diz a jovem, que está prestando vestibular na Fuvest pela segunda vez. Com o dinheiro que Elisangela ganha, ajuda um pouco a família, compra seus livros e paga as atividades extraclasse desenvolvidas pelo Cursinho da Poli. ?Meus pais até disseram que eu poderia parar com o trabalho para me dedicar mais aos estudos, mas decidi continuar no emprego. Se Deus quiser vai dar tudo certo neste ano. Pelo menos na segunda fase da Fuvest eu já tenho meu lugar garantido.? Elisangela pretende trabalhar durante a faculdade, como a maioria dos entrevistados. Apenas 23,7% disseram na pesquisa que vão manter-se somente com a ajuda dos pais. O maior porcentual é de estudantes que querem enfrentar a dupla jornada e contar com o auxílio da família ao mesmo tempo (35,9%). A Fuvest perguntou ainda se o vestibulando já tinha tentado fazer as provas da instituição anteriormente. Sessenta e sete por cento, ou 107.563 alunos, são marinheiros de primeira viagem. Outros 20,3% já fizeram o vestibular da Fuvest uma vez. Cerca de 1% dos estudantes, no entanto, não desistem de passar nos exames, como Luciana Prando, de 24 anos, que está tentando a aprovação para Veterinária desde 1996. ?Já perdi a conta das vezes que fiz Fuvest?, conta a jovem. Neste ano, ela acredita que vai passar. A preparação foi forte, feita no Objetivo. ?Estou melhor neste ano e mais confiante.?

Agencia Estado,

12 de dezembro de 2002 | 19h42

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