Pesquisa arqueológica investe também em educação

Já estão em andamento os primeiros trabalhos de escavação no sítio arqueológico de Joanes, no Pará. O local fica no município de Salvaterra, arquipélago de Marajó, a três horas de barco de Belém. As escavações estão sendo feitas por integrantes do Museu Paraense Emílio Goeldi e da Universidade Federal do Pará (UFPA). Há várias incógnitas científicas em Joanes. Logo no primeiro dia de escavações foram encontradas telhas e alguns pisos usados nas antigas construções, que estão em ruínas e, em boa parte, soterradas. ?Estamos tentando descobrir os alicerces da entrada da igreja e qual a sua real dimensão?, conta Denise Schaan, arqueóloga do Goeldi, e especialista em cultura Marajoara, à Agência Fapesp. Na segunda metade do século 17, foi construída no local a Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Os pesquisadores ainda não sabem se a ordem religiosa foi fundada por franciscanos ou jesuítas. Há pesquisas documentais em curso para tentar elucidar a polêmica. Segundo os historiadores, no período colonial a Vila de Joanes era importante e tinha uma relação bastante presente com a capital Belém. No Marajó funcionava um pesqueiro real, que gerava todo o suprimento necessário para abastecer a capital da província. Ao longo das últimas décadas, o sítio arqueológico passou por uma série de problemas. Parte das construções foi destruída pelas autoridades locais para a construção de uma praça. Por conta disso, os pesquisadores que lá trabalham acham fundamental conscientizar a população local da importância histórica do lugar. A equipe aproveita a oportunidade da viagem para explicar aos moradores locais a importância de que um lugar como aquele seja preservado. Os pesquisadores fazem também o processo de limpeza das pichações existentes nas ruínas coloniais. Na semana passada, os pesquisadores do Goeldi e da UFPA deram palestras sobre arqueologia e turismo aos alunos da região interessados pelo tema. Além disso, está sendo realizada a exposição itinerante O Marajó na Ponta dos Dedos, que pertence ao acervo do Museu do Marajó.

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