Bruno Pereti/Divulgação
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Pensando pequeno

Universidades criam cursos de nanotecnologia de olho em expansão futura do mercado

Larissa Linder, Especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

27 Setembro 2010 | 22h42

Considerada estratégica por pesquisadores, a nanotecnologia, ciência que estuda a matéria na escala dos  átomos, tem ganhado espaço nas universidades brasileiras, ainda que a passos miúdos. Desde o ano passado, as Universidades Federais do Rio e do Rio Grande  do Sul e a PUC carioca criaram cursos e disciplinas sobre o assunto. Esta última foi a que mais inovou, com uma graduação de Engenharia de Nanotecnologia. Já incluída no próximo vestibular, ela é apenas a sexta aberta no mundo com esse perfil.

 

O coordenador do curso da PUC-Rio, Marco Aurélio Pacheco, disse que a decisão de abrir espaço para a nanotecnologia foi baseada no mercado. “Percebemos que daqui a alguns anos haverá uma grande demanda por esses profissionais.”

 

Antes de oferecer a graduação, Pacheco fez uma pesquisa com alunos. “Queria saber quantos fariam, caso a oferecêssemos.” Entre os calouros, 41% declararam interesse.

 

O professor decidiu, primeiro, incluir na grade uma disciplina livre de Introdução à Nanotecnologia. Mais de 30 alunos assistiram à aula no semestre passado. Neste, são mais de 50. “Eles realmente estão interessados em saber mais sobre o assunto”, diz Pacheco.

 

Entre esses interessados está Cáthya Guimarães. Ela cursa o 1º ano de Engenharia Química e sempre gostou da área. Cursou a disciplina livre e decidiu fazer dupla graduação – em Engenharia Química e em Engenharia de Nanotecnologia. “Acho que agora não há tanta demanda no mercado, mas daqui a alguns terá, com certeza.”

 

A UFRJ passou este ano a oferecer bacharelado em Nanotecnologia. “Vimos que era necessário um curso mais multidisciplinar para atender às demandas da nanotecnologia”, conta Renata Simão, coordenadora do curso na federal.

 

Marlon Jefferson Gomes, de 19 anos, diz que começou a se interessar pelo assunto muito antes de ingressar no bacharelado. “Acho que vai ter muito emprego, porque é uma coisa nova. Então quem já estiver pronto para trabalhar com isso vai se destacar.”

 

Também este ano, a UFRGS dividiu seu antigo curso de Física em cinco, cada um com 20 vagas. Um deles é o Bacharelado em Física: Materiais e Nanotecnologia. A procura, porém, ficou abaixo do esperado. “Tivemos concorrência de 2,5 candidatos por vaga, até porque quase não divulgamos. Mas acredito que o mercado vai pedir esses profissionais mais tarde e é importante ter o curso”, afirma Naira Balzaretti, diretora do Centro de Nanociência e Nanotecnologia da universidade.

 

A empresa americana de pesquisa Lux Research prevê que, em 2014, sejam vendidos cerca de US$ 2,6 trilhões em produtos que incorporam nanotecnologia. Isso representa 15% de todos os manufaturados vendidos no mundo.

 

Hoje, apesar de ainda manter a aura futurista, a nanotecnologia é utilizada por indústrias de várias áreas para produzir coisas que fazem parte do cotidiano. Ela permite criar tecidos mais leve e resistentes, por exemplo, ou desenvolver materiais menos agressivos ao ambiente.

 

“Quase toda grande empresa química tem hoje uma área ou pesquisa que envolve a nanotecnologia”, diz Luiz Lira, pós-doutorando em Química pela USP. “Ela é usada tanto para aperfeiçoar o sabão em pó quanto para produzir alguma coisa a partir do petróleo.”

 

Erro histórico

 

Para o pesquisador da USP Henrique Toma, um dos maiores estudiosos brasileiros do assunto, o País ignorou por  muito tempo a tecnologia anterior à nano, a microtecnologia, que trabalha em escala maior e é usada para fabricar componentes de aparelhos eletrônicos. Toma afirma que agora o Brasil corre o risco de cometer o mesmo erro com a nanotecnologia.

 

“Aplaudo decisões como as tomadas no Rio, de abrir cursos de graduação”, diz. “Sem recursos humanos, não se cria tecnologia nova no País.”

 

Mercado e pesquisa

 

A Novel Print, empresa paulista que desenvolve rótulos e embalagens, está investindo em pesquisas na área. Firmaram uma parceria com o Instituto de Química da USP para desenvolver rótulos que sejam mais resistentes a violações. “Temos interesse em pesquisar, mas não tínhamos dinheiro, então fomos atrás do Finep para isso”, conta Dérick Aripol, diretor do departamento técnico. A empresa já fez outras pesquisas com nano, e registrou patentes internacionais e nacionais com os resultados. “Acho que, um dia, isso ainda vai valer muito”, diz Aripol.

 

Segundo dados do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), ligado ao governo federal, em dez anos o Brasil deve responder por R$ 10 bilhões do mercado mundial no setor, o que é uma parcela importante, mas pequena. De acordo com relatório divulgado em 2007 pelo Núcleo de Assuntos Estratégicos NAE), ligado à Presidência da República, o Brasil não faz parte dos líderes no setor, que são Estados Unidos, Japão, Alemanha e Coreia do Sul. Mas ainda tem chances de ter uma parcela, ainda que menor, nesse mercado.

 

Se fizer os investimentos necessários, o País pode concorrer com Rússia e Índia, por exemplo. “Não há dúvidas: é algo que vai crescer, que é fundamental para o País, e vão precisar desses profissionais”, diz Pacheco. “Então, temos que formá-los”.

 

ONDE ESTUDAR

 

PUC-Rio

Engenharia de Nanotecnologia

http://nanotech.ica.ele.puc-rio.br/

 

UFRJ

Bacharelado em Nanotecnologia

http://nano.ufrj.br/graduacao.html

 

UFRGS

Bacharelado em Física: Materiais e Nanotecnologia

http://www.ufrgs.br/cnano/

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