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Pegada cosmopolita

Encravada em Washington, Universidade de Georgetown quer ampliar presença no Brasil

Sergio Pompeu, do Estadão.edu,

25 Junho 2012 | 22h09

No início do século 20, logo depois da Primeira Guerra, os Estados Unidos ainda acordavam para as necessidades criadas pela sua ascensão global. Coube à Universidade de Georgetown, criada em 1789, ano da Revolução Francesa, liderar o esforço de formação de pessoal com visão global para conduzir esse processo. Sua School of Foreign Service, nascida em 1919, antecedeu em seis anos a criação do próprio corpo diplomático do país.

O reitor da universidade, John DeGioia, esteve em São Paulo no dia 14, para participar do Grandes Universidades, evento da Fundação Estudar que, com apoio do Estadão.edu, busca apresentar ao público brasileiro as melhores instituições de ensino do mundo. Concordou que há semelhanças entre o momento atual do Brasil e o dos EUA de 1919. “Enquanto vocês se preparam para desempenhar seu novo papel no mundo nos próximos cem anos, seria um privilégio mostrar um pouco do que aprendemos em termos de currículo e desenvolvimento de talentos.”

DeGioia comanda uma instituição peculiar. Relativamente pequena, Georgetown tem cerca de 16 mil alunos, mas forte pegada internacional – os estudantes vêm de 130 países. Fica em Washington, lugar de sonho para qualquer observador da área de Relações Internacionais. Comparável a outras universidades de elite na antiguidade, difere da maioria delas na origem jesuíta.

O substrato religioso poderia ser um entrave, mas na verdade acaba ajudando Georgetown a dialogar com parceiros tão díspares como o Ministério de Assuntos Religiosos da China ou a monarquia islâmica do Catar – a universidade tem um câmpus avançado na capital do país, Doha.

Mas qual papel DeGioia acha que Georgetown pode desempenhar no Brasil? “O contexto é o de uma das mais antigas universidades do mundo que tem se debatido já há alguns anos com essa grande questão que afeta a todos nós, a globalização. Olhando dez anos atrás, fazemos coisas que antes não fazíamos, como o câmpus em Doha e as parcerias na China”, disse. “Reconhecemos o papel importante do Brasil no nosso hemisfério e queremos criar uma presença, com estudantes e professores, para entender, acima de tudo, quais ideias novas estão surgindo aqui. E nos antecipar à demanda de nossos alunos. Em 2005, tínhamos 38 estudantes participando de projetos na China; hoje são quase 2 mil.”

Com interlocutores no País como o ex-ministro e embaixador Marcílio Marques Moreira, personagem-chave na história das relações Brasil-EUA, Georgetown não descarta a hipótese de abrir um escritório aqui, como o que Columbia inaugura no Rio em setembro. “Eu não diria não a nenhuma ideia, embora uma experiência como a de Doha, por exemplo, seja difícil de replicar, porque as circunstâncias são únicas em termos de recursos e infraestrutura oferecidos pelo governo do Catar”, diz DeGioia. “Em países como Coreia, China, Indonésia, Malásia e Cingapura há muito interesse na formação generalista que o Georgetown College, nossa escola de liberal arts, pode oferecer.”

Embora não afaste a ideia de abrir um escritório aqui, DeGioia diz estar atento às “novas dinâmicas” da educação que estão emergindo nos EUA graças às ferramentas online. “Podemos explorar a possibilidade de fazer minicursos certificados, breves seminários, complementados online, nos quais poderemos discutir temas como estratégia com parceiros, estudantes e think tanks.”

Excelência

Um dos carros-chefes de Georgetown é a School of Foreign Service (SFS), criada em 1919, que recebe todos os anos cerca de 2.100 estudantes de 80 países. Entre os professores estão a ex-secretária de Estado americana Madeleine Albright e o ex-primeiro-ministro da Espanha José María Aznar. Entre alunos antigos da SFS estão o ex-presidente americano Bill Clinton e o rei Abdullah, da Jordânia

Número 1

A SFS ficou em primeiro lugar no ranking de 2012 da revista Foreign Affairs em cursos de mestrado em RI e em quinto lugar entre os cursos de bacharelado

16 mil alunos estudam em Georgetown, dos quais 7,4 mil fazem cursos de graduação

 

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