Parecido com vestibular tradicional, Enem é considerado cansativo

Prova demanda mais conhecimentos específicos e traz textos acompanhando todas as questões

Guilherme Soares Dias, Juliana Diógenes, Luisa Roig Martins e Luiz Fernando Toledo, Especial para o Estado

27 Outubro 2013 | 20h59

O segundo dia de prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2013 foi mais parecido com o vestibular tradicional, trazendo questões que exigiam conhecimento específico e textos auxiliando as questões de Língua Portuguesa. De acordo com especialistas, a prova foi cansativa e a Redação seguiu o modelo de anos anteriores, deixando de fora a abordagem de temáticas atuais. Já as provas de línguas estrangeiras tiveram grau de dificuldade considerado mediano.

Para o diretor pedagógico da Oficina do Estudante, Célio Tasinafo, a prova de Português foi cansativa. "Trouxe textos enormes", afirma. Tasinafo diz que nem mesmo o aluno preparado conseguiu fazer todas as 45 questões com tranquilidade. "Algumas eles vão 'chutar' ou passar por elas rapidamente, sem reflexão", comenta. O especialista avalia que o aspecto positivo foi contemplar todos os tipos de linguagem. "Tem poema, letra de música, quadrinhos, charge e até textos jurídicos", comenta. Além disso, o diretor pedagógico da Oficina do Estudante acredita que a prova não cobriu conteúdos específicos como a nova reforma ortográfica, o que beneficia a proposta do exame.

Em relação à prova de Matemática, Tasinafo acredita que há mais conteúdo em relação aos anos anteriores e considerou o exame melhor do que nas edições anteriores. Ele chama a atenção para uma questão de Geometria sobre circuncentro. "É um tema que quase não se vê e pouca gente trabalha. É menos recorrente nos vestibulares", avalia. Segundo ele, as questões não têm contas tão complexas quanto às de ontem, em Física e Química, mas tomaram tempo significativo do aluno. O ponto positivo, segundo ele, foi a contextualização dos exercícios. "Não existe mais nada forçado, como em anos anteriores", explica.

Sobre a Redação, Tasinafo reclama que faltaram textos de apoio que não fossem somente do governo federal. "Parece propaganda oficial. Não tem um texto que não tenha sido tirado de órgãos públicos", avalia. Ele lembra que em anos anteriores também foram usados textos jornalísticos, ampliando as possibilidades de análise do aluno.

Exaustiva. Já o diretor do Cursinho da Poli, Gilberto Alvarez, conhecido como professor Giba, avalia que a prova do Enem 2013 demandou esforço dos candidatos. “A prova é cansativa por natureza. Exigia interpretação e havia poucas questões que cobraram conteúdo, mas isso é importante também”, diz. Em Matemática, ele lembra que o exame pediu análise de tabela e de gráficos. “Relacionou Matemática com outras disciplinas. É a disciplina mais temida”, afirma.

Para ele, o tema da Redação foi interessante. “Dava para o aluno fazer boa dissertação e os textos motivadores ajudaram também. O tema estava bastante presente na mídia. O aluno poderia seguir várias linhas”, diz. Alvarez afirma que o maior problema do Enem, não é o que é exigido, mas o esforço físico para superar 10 horas de prova. “Talvez diminuir um pouco a prova poderia ajudar, mas se perderia a perspectiva da formação global do aluno”, diz.

Vestibular. A prova de Matemática foi considerada de bom nível, com questões de logaritmo, função quadrática e interpretação de gráficos. "As perguntas exigiram bastante conhecimento dos candidatos”, afirma o coordenador-geral do Anglo Vestibulares, Luís Ricardo Arruda. Para ele, essas questões específicas fizeram com que a prova ficasse mais próxima do vestibular tradicional. Já o teste de Português, na opinião de Arruda, estava cheia de "textos charmosos e interessantes", e em Literatura, a prova foi abrangente e bem elaborada.

Quanto à Redação, o coordenador não acredita que houve surpresas, já que o Enem não aborda questões que estão à tona na mídia atual. “'Lei Seca' foi um tema fácil, é uma questão bem debatida, que interfere nos direitos pessoais", afirma.

Equilíbrio. A expectativa do coordenador-geral do curso Etapa, Edmilson Motta, é de que no resultado desta edição do Enem haja um equilíbrio maior na distribuição de pontuação entre os quatro eixos: Português, Matemática, Ciências Naturais e Ciências Humanas. "As notas têm uma padronização, mas as diferenças entre os eixos não são ideais. O melhor é que haja uma distribuição parecida".

Na prova de Linguagens - incluindo Inglês e Espanhol -, houve aumento no nível de complexidade das questões, diz Motta. Embora os textos tenham sido menores do que em edições anteriores do Enem, cresceu a exigência de vocabulário. "As perguntas exigiram um entendimento melhor do texto. O Enem deste ano se aproximou do que a gente vê no vestibular da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest)", afirmou.

Segundo ele, porém, o Enem manteve características próprias das edições anteriores: foco no texto, dificuldade para o estudante perceber a resposta correta, alternativas semelhantes e a "mesma maneira" de explorar quadrinhos, charges, obras de arte e música.

A prova de Matemática, segundo o coordenador-geral do Etapa, foi simples para o aluno que estava preparado para vestibulares das universidades mais concorridas. "Os enunciados estavam menores e mais diretos. Era mais fácil perceber o que fazer naquela questão. Isso não aconteceu em em outros anos. Não é que a prova tenha sido mais fácil, mas ficou melhor para o candidato preparado".

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