Parceria à francesa

No Ano da França no Brasil, agência Campus France anuncia meta de elevar para 5 mil número anual de alunos de intercâmbio brasileiros

Ana BIzzotto,

28 Setembro 2009 | 22h43

No Ano da França no Brasil, um dos motivos de comemoração é a cooperação científica e acadêmica, tema de cerca de 50 eventos até dezembro. Principal destino dos bolsistas da Capes em 2008, o país europeu teve papel decisivo na formação de pesquisadores e até de instituições - professores como Claude Lévi-Strauss e Fernand Braudel, que vieram a São Paulo nos anos 30, são ícones da história da USP.Dos 4.135 beneficiados por bolsas da Capes em 2008, 1.183 seguiram para a França. O número de alunos brasileiros que desembarcou no país cresceu 78% nos últimos cinco anos. Em 2008, foram 3.200, mais de 50% deles graças a convênios entre universidades, índice muito superior à média mundial. Normalmente, essas parcerias respondem por 20% do total de estudantes que viaja para o exterior. "Queremos que o total de alunos de intercâmbio brasileiros chegue a 5 mil em cinco anos", diz Gerard Binder, presidente da Campus France, agência de promoção do ensino superior.Um trunfo para ampliar a cooperação é a Semana Franco-Brasileira de Ensino Superior, que ocorre de 2 a 8 de outubro em São Paulo, Belo Horizonte e Rio, com participação de mais de cem universidades. Ela será aberta com o colóquio Formações e Profissões do Futuro, que discutirá parcerias em setores estratégicos para os dois governos: desenvolvimento sustentável, tecnologia espacial e energia nuclear.Do lado europeu, o interesse é mais tímido, mas tem crescido. Em 2008, o Consulado do Brasil em Paris concedeu 666 vistos estudantis. Este ano, até meados de setembro, foram 701. "Buscamos mostrar aos alunos franceses que eles encontrarão aqui cursos e instituições de altíssimo nível", afirma Thierry Valentin, diretor do Centro Franco-Brasileiro de Documentação Técnica e Científica (Cendotec).Um dos intercâmbios mais comuns é o duplo diploma: o aluno de uma universidade francesa ou brasileira fica até dois anos na instituição estrangeira e se forma nas duas. São 90 programas entre França e Brasil, a maioria de Engenharia. Na Escola Politécnica da USP, franceses respondem por 95% da dupla diplomação.Com português fluente e até sotaque paulistano, o aluno de Engenharia de Produção Arthur Wetzel, de 23 anos, da École Centrale de Lille, aterrissou na USP há 18 meses graças à propaganda de colegas brasileiros que fizeram duplo diploma na França. "O jeito de estudar é diferente. No Brasil temos de ler mais, lá a reflexão vem toda do professor", diz Arthur, que divide o tempo entre a Poli, o estágio na Ambev e a namorada brasileira. "Na França, o estudo é focado nas teorias clássicas, aqui é bem mais atual", diz Solène Le Cam, de 24, colega de curso de Arthur. Para ela, a temporada brasileira traz experiência, mas prejudica o estudo. "Os estágios franceses são em períodos separados. Aqui trabalho como contratada (na Danone). É difícil conciliar." Mesmo assim, Solène pensa em ficar no País de vez: conheceu o noivo brasileiro em Lille, quando ele fazia duplo diploma.

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