Mariana Mandelli/AE
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Para senador, Pronatec não vai funcionar sem reforço no ensino fundamental

Alunos vão chegar sem saber o que é ângulo reto e regra de três, diz ex-ministro da Educação

Mariana Mandelli, Enviada especial

06 Outubro 2011 | 20h56

LONDRES -  Sem ensino fundamental de qualidade, é difícil obter um ensino técnico de alto nível. Essa é a opinião do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), ex-ministro da Educação, sobre o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), projeto do governo federal que visa aumentar a oferta de cursos de educação técnica e profissionalizante no País. Cristovam fez as declarações durante o WorldSkills, torneio de ensino profissionalizante.

Para ele, os alunos vão chegar sem saber o que é ângulo reto e regra de três, o que vai forçar o programa a perder tempo de seus professores para ensinar aquilo que eles já deveriam saber – "o que pode causar até baixas nos cursos”, afirma ele, que defende a federalização do ensino básico.

Segundo Buarque, o ensino profissionalizante deveria ser feito em duas linhas: nas escolas técnicas e no ensino médio regular, que passaria a ser realizado em quatro anos para que o jovem se forme sabendo um ofício. “Temos um vício dos governos de querer voto, e fazer universidade dá voto – investir no ensino básico não , diz o senador, que afirma também que o programa não foca na inovação das habilidades profissionais.

“A inovação não virá do Pronatec. O programa só inovará no modo de fazer. Inventar não”, opina.

Já Rafael Lucchesi, diretor geral do Senai, afirma que o programa não vai resolver todos os problemas da educação brasileira, mas pode ser encarado como uma agenda positiva.

“Ele vai ajudar a corrigir a matriz brasileira, que é problemática: temos 6 milhões de universitários e 9 milhões no ensino técnico – desses, só um milhão está na educação profissional. Formamos os meninos para uma lógica bacharelesca”, afirma Lucchesi. “O Brasil deve ser um dos poucos países no mundo em que o estudante passa doze anos dentro da escola sem ter uma hora de educação profissional. Aqueles que não vão para a universidade chegam ao mercado de trabalho sem a escola ter ajudado em nada.”

* A repórter viajou a convite do Senai/CNI

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