Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Para professores, vestibular da Unesp cobrou conhecimentos básicos

Prova mais complicada foi a de filosofia; processo seletivo continua nesta segunda-feira

Carlos Lordelo, Estadão.edu

03 Julho 2011 | 21h04

As questões mais difíceis do primeiro dia da 2.ª fase do vestibular de inverno da Unesp foram as de filosofia, segundo professores ouvidos pelo Estadão.edu. Para Ana Paula Bugarelli, do cursinho Etapa, as quatro perguntas eram de "alta complexidade". "Não dava para o aluno argumentar somente com base nos textos. Ele precisava saber qual o debate filosófico conduzido pelos autores das obras cobradas", disse. Na opinião de Vera Lúcia Antunes, do Objetivo, o aluno familiarizado com o pensamento dos filósofos "teria dado resposta melhores".

 

Esta foi a terceira vez que a Unesp incluiu questões de filosofia em seu vestibular e, para Ana Paula, a banca está "aprofundando" o nível das perguntas. "Na prova passada, o candidato conseguia fazer a questão a partir da leitura e interpretação do trecho do texto. Hoje não foi assim." A professora acredita que a Fundação Vunesp, responsável pelo processo seletivo, ainda está se "instrumentando", porque faz pouco tempo que filosofia começou a ser uma disciplina obrigatória nas escolas.

 

O processo seletivo para 510 vagas oferecidas em seis câmpus da Unesp no interior paulista começou neste domingo, 3, com a aplicação das provas de Ciências Humanas e de Ciências da Natureza e Matemática, cada uma com 12 questões discursivas. Foram convocados 4.163 candidatos para a 2.ª fase do vestibular. Hoje, 371 estudantes não compareceram, o que representa uma abstenção de 8,9%. Amanhã será aplicada a prova de Linguagens e Códigos e a Redação.

 

Em geografia, a banca cobrou dos estudantes conhecimentos sobre placas tectônicas e vulcanismo no Oceano Pacífico, a onda de revoltas em países muçulmanos da norte da África e do Oriente Médio, consumo de água e ciclo hidrológico. Não caiu nada sobre o Brasil. "Acho justificável, porque fenômenos como o tsunami no Japão e os levantes populares nos países muçulmanos estavam na agenda do primeiro semestre", afirmou o professor do Etapa Omar Fadil. A coordenadora do Objetivo, Vera Lúcia Antunes, também elogiou as questões. "A prova estava bem feita e trazia mapas coloridos, o que facilita o trabalho do aluno."

 

Já o professor de história do Etapa Antônio Carlos Costa Ramos não gostou do exame por conta do nível das questões e da diversidade de assuntos abordados. "A prova estava muito simples. Com conhecimentos básicos, o aluno se saía bem", disse. Caíram perguntas sobre história contemporânea francesa, exploração de trabalho escravo no Brasil, Guerra do Paraguai e descolonização de países da África e da Ásia.

 

Criativo e tradicional. A prova de Ciências da Natureza e Matemática começou com 3 questões sobre biologia, abrangendo ecologia, ciclo da água e genética. "O professor achou as questões criativas e atuais, principalmente a que falava sobre a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte", contou a coordenadora do Objetivo, Vera Lúcia.

 

Em seguida veio o conteúdo de química por meio de questões sobre termoquímica, equilíbrios iônicos e polímeros. "Parecia uma prova do século passado", criticou o coordenador da disciplina no Etapa, Edison Barros Camargo. "O exame foi convencional, com enunciados muito conhecidos e que pediam respostas curtas."

 

Física também não surpreendeu os candidatos, segundo os professores. "O candidato relativamente preparado fez essa prova com uma tranquilidade incrível", disse Vera Lúcia, do Objetivo. Nas 3 questões, foram abordados mecânica e eletricidade. Para o docente do Etapa Alexandre Lopes Moreno, a banca não se preocupou em contextualizar as perguntas. "Achei um pouco estranho, porque vai contra a tendência dos vestibulares modernos."

 

Por fim, os estudantes fizeram o exame de matemática, que abrangeu fatoração, álgebra e geometria. "Juntando com as questões da 1.ª fase, o vestibular foi abrangente em termos de conteúdo e trouxe questões bem formuladas", avaliou o coordenador de matemática do Etapa, Marcelo Dias.

 

Último dia. O vestibular da Unesp continua nesta segunda-feira, 4, das 14h às 18h30. Os candidatos terão de escrever uma redação e responder a mais 12 questões discursivas, desta vez sobre Linguagens e Códigos (língua portuguesa, língua inglesa, literatura, arte e educação física).

 

Recomenda-se comparecer ao seu local de prova com uma hora de antecedência, ou seja, às 13h, quando os portões serão abertos. Ninguém entra após as 14h.

 

Este é o vestibular de inverno mais concorrido da história da instituição. A Unesp registrou 12.375 inscritos para as 510 vagas oferecidas nas unidades de Bauru, Dracena, Ilha Solteira, Ourinhos, Registro e Sorocaba. A prova de 1.ª fase foi aplicada no dia 12 de junho.

 

O resultado do processo seletivo será divulgado em 20 de julho, no site da Unesp. A matrícula dos aprovados em primeira chamada está marcada para os dias 25 e 26 de julho, na unidade onde funciona o curso escolhido pelo candidato.

 

Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (11) 3874-6300 e (11) 3874-6300 ou nos sites www.unesp.br e www.vunesp.com.br.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.