Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Para professores, tempo foi o maior adversário de candidato da Unicamp

Estudantes tiveram quatro horas para resolver 24 questões de língua portuguesa e matemática

Carlos Lordelo, do Estadão.edu,

15 Janeiro 2012 | 21h24

SÃO PAULO - O tempo foi o maior adversário dos estudantes que fizeram neste domingo a primeira prova da segunda fase do vestibular da Unicamp. Em quatro horas, eles tiveram de responder a 12 questões de língua portuguesa e literatura e a outras 12 de matemática. Professores de cursinho ouvidos pelo Estadão.edu elogiaram a formulação dos enunciados, mas apontaram a necessidade de se reduzir a quantidade de perguntas no exame.

 

"O pecado desta prova é a falta de tempo para resolver questões bonitas, mas com respostas longas", avalia Nelson Dutra, que ensina português no Objetivo.

 

Para Eduardo Izidoro, professor de matemática do Cursinho da Poli, o fator tempo é a "25.ª questão". "Mesmo com enunciados concisos e claros, o aluno precisa administrar bem o tempo para responder a prova inteira."

 

Célio Tasinafo, diretor pedagógico do Oficina do Estudante, afirma que a duração deixa o exame mais difícil. "Candidatos menos experientes, que não aprenderam macetes nem responderam a provas anteriores, tiveram dificuldade."

 

Sem surpresas

 

A Unicamp seguiu o padrão dos últimos anos e mais uma vez formulou 6 questões de língua portuguesa e outras 6 de literatura.

 

Nas perguntas sobre língua, a prova trouxe uma novidade: o uso de terminologia especializada, como "organização sintática" e "processo de formação de palavras". "Mas não cobrou a nomenclatura pela nomenclatura, e sim a gramática de forma contextualizada", destaca o professor do Anglo Eduardo Calbucci. "Sob este aspecto, o exame foi sofisticado."

 

Em literatura, 7 das 9 obras de leitura obrigatória apareceram. Ficaram de fora O Cortiço e Capitães da Areia. Cláudio Claus, professor do Cursinho da Poli, ressalta que a pergunta sobre Dom Casmurro foi parecida coma a da Fuvest, aplicada na semana passada. "Partindo de trechos diferentes do livro, as duas provas pediram reflexões semelhantes."

 

Para Célia Passoni, coordenadora de língua portuguesa do Etapa, a melhor questão foi a de número 10, que pedia para comparar personagens dos livros Memórias de um Sargento de Milícias e Vidas Secas. "As outras eram perguntas pontuais sobre os textos", diz.

 

Matemática

 

A prova de matemática foi abrangente e com questões bem elaboradas, segundo professores da disciplina. Havia perguntas contextualizadas e de todos os níveis de dificuldade.

 

"Neste ano a Unicamp ganhou da Fuvest", afirma o professor do Anglo Roberto Jamal. "A prova estava muito boa, enquanto a Fuvest não estava bem elaborada."

 

A questão mais difícil, de acordo com os professores, foi a 23. "Era um problema de geometria com trigonometria em que o candidato tinha que atrelar conceitos de um assunto aplicado ao outro", explica Alexandre Borges, do Etapa. Para ele, a prova foi menos exigente que a do ano passado.

 

O professor do Oficina do Estudante Rodolfo Borges elogiou a formulação dos enunciados. "Não foram questões tão conteudistas quanto as da Fuvest. Exigia do aluno entender o contexto do exercício para chegar à resposta", disse.

 

Gregório Krikorian, do Objetivo, reclamou da falta de espaço para as resoluções. "A banca obrigou o aluno primeiro a fazer um rascunho, depois dar uma peneirada e só então passar a resposta a limpo no espaço determinado", explicou. "Mesmo assim, foi uma prova excelente, embora difícil."

 

 

Segunda fase

 

A Unicamp registrou abstenção de 10,66% neste domingo. Dos 16.665 candidatos esperados para o exame, 1.777 não compareceram. No ano passado, 8% dos estudantes classificados faltaram à primeira prova.

 

A segunda fase continua amanhã, com as provas de ciências humanas e artes e de língua inglesa. Na terça-feira, último dia do vestibular, caem perguntas sobre as ciências da natureza.

 

Os candidatos concorrem a 3.444 vagas em 66 cursos da Unicamp e dois cursos da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp). / COLABOROU ROSE MARY DE SOUZA, ESPECIAL PARA O ESTADÃO.EDU

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