Para professores de cursinho, prova da Fuvest foi exigente e bem elaborada

Itens interdisciplinares e de atualidades foram a tônica do exame; cursinho Anglo defende anulação de questão de Geografia

Carina Bacelar, Julia Affonso e Lorena Tabosa,, Especial para o Estado

24 Novembro 2013 | 21h43

A prova da primeira fase da Fuvest, aplicada neste domingo, 24, foi considerada exigente, na opinião de coordenadores de colégios e cursinhos da região metropolitana de São Paulo. As questões de Matemática e Física foram eleitas pelos alunos das instituições como as mais difíceis. Além das questões tradicionais, a prova abordou temas atuais, como as manifestações ao redor do mundo, o uso de drones e a ocorrência de tufões nas Filipinas.

"Foi uma prova muito bem elaborada, com enunciados curtos e claros. A Fvest não fugiu do padrão", elogia o diretor do Cursinho da Poli, Gilberto Alvarez, conhecido como Giba. "A prova continua sendo conceitual, cobrando os conceitos do ensino médio. O aluno que foi bem na prova é aquele que consegue relacionar disciplinas", aponta. Na opinião de Giba, a edição deste ano estava mais complicada que a do ano passado.

Coordenador do curso Anglo, o professor Luís Ricardo Arruda acredita que a prova de 2013 estava mais difícil que a do ano anterior. Apesar da elaboração geral ter sido bem pensada, ele destaca que uma das questões da prova de Geografia, sobre o regime de chuvas de Petrolina, não tinha resposta. “Eles dizem que a resposta correta é o regime do semiárido, mas a região é produtora de frutas justamente por ser uma exceção a esse clima”, aponta. O curso vai entrar com pedido de anulação da questão, anexando gráficos da Embrapa que comprovariam o erro da banca.

Física foi tida pelo Anglo como a prova mais difícil. “Até resolvemos as questões em sala, mas eram aquelas consideradas mais complicadas”, afirma Arruda. Em Matemática, os professores sentiram falta de abordagem sobre trigonometria e acreditam que houve um leve exagero na cobrança de Geometria.“Matemática foi o 'bicho papão' da prova, com questões inteligentes, bem feitas e de alto nível. A última questão foi considerada a mais difícil porque exigia visão espacial. Quem não conseguisse ver isso, não fazia a questão”, afirma Vera Antunes, coordenadora do Objetivo. 

Biologia, na opinião do coordenador Marcelo Dias Carvalho, do Curso Etapa, apresentou interpretações dúbias. O enunciado da questão que tratava de genética tinha imprecisões conceituais. “Mas nada que atrapalhasse o aluno a marcar a resposta”, pondera. “A prova manteve o estilo de dificuldade mediana do ano passado, contextualizada e procurando sempre temas atuais e jornalísticos. A cobrança conceitual, prática, de interpretação e de cálculos. Para seleção da primeira fase, é bem adequada”, elogia.

Atual e interdisciplinar. A prova da Fuvest 2014 não surpreendeu, na visão do diretor pedagógico da Oficina do Estudante, Célio Pasinafo. A equipe de professores do curso acredita que, apesar das queixas dos alunos nas redes sociais, as questões de Ciências Exatas estavam no mesmo nível dos anos anteriores. “Foi uma prova bem feita, com cobrança equilibrada de conteúdos importantes em todas as disciplinas, avalia Tasinafo.

Ele destacou a pertinência das questões interdisciplinares: além de bem amarradas, segundo Tasinafo, elas estavam bem distribuídas por toda a prova. “Elas tinham organização clara”, afirma. "Apesar da recorrente objetividade nos enunciados, as provas de Química e Matemática tiveram certo grau de contextualização", afirma. Já os de Física, destaca o diretor, foram diretos, com a volta da Cinemática, assunto recorrente na disciplina, ao caderno de questões.

A prova com mais atualidades, de acordo com ele, foi a de Inglês, que trouxe duas questões baseadas em um artigo da revista britânica The Economist sobre as manifestações no Brasil e no mundo. “Fica mais fácil de interpretar que um texto sobre um assunto científico, por exemplo. Muitos dos estudantes participaram dos protestos”, diz.

 

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