Para o MEC, redução de matérias não prejudica alunos

Apesar da crítica de especialistas e professores, o Ministério da Educação (MEC) não está preocupado com a redução, a partir do ano que vem, no número de aulas de disciplinas convencionais - como língua portuguesa, matemática ou história - nas escolas estaduais de ensino médio de São Paulo. A redução será necessária para a inclusão das disciplinas de filosofia, sociologia e psicologia na grade curricular dos 2.º e 3.º anos do ensino médio, conforme determinação da Secretaria da Educação. As escolas terão de oferecer pelo menos uma das matérias. A carga horária diária será a mesma: seis horas no período diurno e cinco no noturno. "Do meu ponto de vista, isso não vai atrapalhar as outras matérias", diz a diretora do Ensino Médio do MEC, Maria Beatriz Gomes da Silva. "Acho inclusive que os alunos podem melhorar seu desempenho em outras matérias, porque passarão a ter um compreensão melhor dos assuntos." Maria Beatriz adverte, porém, que será preciso capacitação dos professores da rede para que eles consigam estabelecer "elos entre as matérias". As secretarias e as escolas, segundo ela, têm autonomia para definir como incluir novas disciplinas. A lei exige apenas que sejam dadas no mínimo 800 horas anuais e 200 dias letivos. Ontem, o Estado mostrou que a decisão da secretaria provocou críticas nos meios acadêmico e sindical. "Essas matérias (filosofia, sociologia e psicologia) são importantíssimas para uma formação integral dos alunos, mas não resolve nada se para incluí-las for preciso tirar aulas de outras disciplinas", diz o presidente da Apeoesp (sindicato dos professores da rede Estadual), Carlos Ramiro. Na semana que vem, representantes do sindicato se reúnem com o secretário de Estado da Educação, Gabriel Chalita, para discutir os efeitos da decisão no ensino e na atribuição de aulas de professores que poderão ter suas cargas horárias reduzidas.

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