Para integrar famílias, escolas estão abolindo festa de dia dos pais

Escolas dizem que é preciso pensar nos múltiplos formatos de família e em como deixar as crianças mais integradas com a escola

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

03 Agosto 2015 | 03h00

Tendo em vista as diferentes formatações familiares, as escolas de São Paulo estão aos poucos “abolindo” as comemorações em dias exclusivos, como dia das mães e dos pais. Na rede municipal de ensino da capital, as escolas são orientadas a não promover esse tipo de evento, mas sim de comemorar o “Dia da Família”.

De acordo com a Secretaria de Educação do município, as escolas têm autonomia caso queiram fazer comemorações específicas, mas a recomendação é de que promovam o dia de atividades familiares ao menos duas vezes ao ano. “[A iniciativa] objetiva acolher todos os alunos da comunidade escolar, sem distinção”, explicou a secretaria em nota.

Na rede estadual de ensino, a orientação é que as comemoração estejam “alinhadas à diversidade da demanda escolar atendida”. Na escola Romão Puigari, no Brás, foi adotado o “Dia da Família” diante da preocupação de que os alunos se sintam melhor acolhidos.

Em escolas particulares, a mudança também foi adotada. No colégio Ofélia Fonseca, na zona sul, há três anos a comemoração dessas datas foi extinta e substituída por manhãs de convívio com os familiares aos sábados. “As configurações familiares são outras e não podemos constranger as crianças com esses eventos, quando o objetivo deveria ser integrar mais as famílias e escolas”, disse Marisa Monteiro, diretora da escola.

Ela contou que no início alguns pais reclamaram do fim das comemorações e da entrega de presentes para os pais, mas que a escola manteve a decisão por entender que era uma necessidade. “Mudamos também a forma como nos dirigimos aos responsáveis pelos alunos nos comunicados escolares. Não dizemos mais ‘caros pais’, mas sim ‘caras famílias’”.

Já na escola Dream Kids, com crianças de até sete anos, as comemorações foram mantidas, mas a pedido dos pais. “Nós perguntamos aos pais sobre a possibilidade de fazermos um evento mais aberto para toda a família, mas eles quiseram manter. Mas acho que em breve todas as escolas terão que ter uma festa da família”, disse a diretora pedagógica Eliza Botelho.

Ela contou que em anos anteriores já teve crianças que não conheciam os pais e levaram os avôs na comemoração. “Não houve constrangimento, mas acho que precisamos nos adequar”. Neste ano, a escola fará uma aula de culinária para os pais e filhos, em que farão biscoitos em formato de “gravata e bigode”.


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