Para Giannetti, faltam líderes brasileiros que pensem em capital humano

Economista acredita que País escolhe prioridade errada ao optar por capital físico

Larissa Linder, Estadão.edu

21 Agosto 2010 | 16h49

Ao escolher investir pesado em  infra-estrutura, deixando de lado a questão de investimento em educação, o governo brasileiro estaria acreditando em um modelo de desenvolvimento que não é sustentável a longo prazo. A opinião é do economista Eduardo Giannetti, que participou neste sábado do II Encontro Educação SER, no Hotel Intercontinental. Sua palestra tinha como tema  “Educação, Futuro e Sociedade: perspectivas inovadoras que transformam pessoas”.

 

 

"Lembro que o Geisel falava que o Brasil era uma ilha de prosperidade em um mar de turbulência. Às vezes tenho pesadelos em que o Lula fala a mesma coisa", disse o economista, rindo. "O que ocorre é que essa ilha, se não investir em educação e capital humano de forma geral, pode virar um ponto de turbulência em um mar de prosperidade. O Brasil está em um ótimo momento, mas tem de fazer a escolha certa para que o futuro seja próspero também."

 

 

Para Giannetti, o governo deixa a educação em segundo plano, dando preferência para investimentos em, por exemplo, estradas. "Tem até o PAC, o programa de abuso da credibilidade", disse rindo novamente. Para o economista, faltam nas propostas de campanha atuais questões que envolvam esse investimento em capital humano. Ele lembrou que, segundo o TSE, apenas 53% do eleitorado brasileiro completou o Ensino Fundamental.

 

 

Um bom primerio passo para o País começar a investir nesse capital seria, de acordo com o economista, ter um programa de creches e pré-escolas abrangente e de qualidade. "Protegendo a criança e dando estrutura para ela crescer é um bom começo", afirmou o professor ao Estadão.edu, logo após a palestra. Ele citou que no Estado de São Paulo, apenas 3% dos alunos têm família que o acompanha, cobra, demonstra interesse nos seus estudos.

Na entrevista, Giannetti afirmou ainda que considera o Enem um bom termômetro, mas defende que o exame deveria ir além, funcionando como um pré-requisito para o aluno se formar no Ensimo Médio; dessa maneira ela não seria só um medidor ou um teste para se entrar na faculdade. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.