Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Para especialista do MIT, ‘Na volta às aulas, é preciso celebrar a resiliência do aluno'

Justin Reich, pesquisador do Massachusetts Institute of Technology (MIT), afirma que neste momento o papel da educação deve ser mais de acolhimento do que de passar conteúdos

Renata Cafardo, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2020 | 05h00

Para o pesquisador do Massachusetts Institute of Technology (MIT) Justin Reich, responsável pelo estudo que acompanha as escolas americanas durante a pandemia da covid-19, o papel da educação nesse momento deve ser mais de acolhimento do que de passar novos conteúdos. “Na volta às aulas, o ideal seria que as escolas se concentrassem em celebrar a resiliência e o aprendizado dos alunos durante o isolamento”, diz. 

Qual deve ser o objetivo do ensino remoto neste momento?

As escolas são instituições com diversos objetivos. Preparam as pessoas para o trabalho, para a cidadania, para uma vida ética, preparam para o futuro, dando conhecimento e sabedoria. Acho que o mais importante para as comunidades escolares é identificar esse objetivo. Pelo que vimos no estudo, estou convencido que o aprendizado remoto pode apoiar a resiliência dos jovens, mantendo relacionamentos com colegas e adultos de confiança, a rotina – e os estimulando intelectualmente. Estou menos preocupado com o progresso acadêmico durante o fechamento.

Como as escolas devem lidar com notas e aprovações?

No contexto americano, onde o fechamento das escolas ocorreu no fim do ano letivo, acho que era preciso flexibilidade. Se os fechamentos tivessem ocorrido no início do ano, muitos Estados poderiam ter pensado sobre as coisas de maneira diferente, oferecendo alguma flexibilidade de curto prazo enquanto tentavam manter os padrões em um horizonte de tempo mais longo.

Você recomenda o ensino assíncrono e síncrono?

A maioria dos meus colegas que pesquisam educação a distância recomendou que as escolas focassem em abordagens assíncronas (aquelas em que, por exemplo, um vídeo com aula é gravado e enviado ao aluno), considerando todos os desafios de agendamento, conectividade à internet etc. Fiquei um pouco surpreso com o grande interesse de professores, famílias e imprensa na aprendizagem síncrona (aulas online). Há muitas razões pelas quais ela apresenta desafios logísticos e de equidade. Mas também é parecido com o que as pessoas pensam que a escola deveria ser.

Qual deve ser o foco quando as crianças voltarem à escola?

Quando começarmos um novo ano escolar? Ou fisicamente de volta às salas de aula? Pode levar anos até que os alunos voltem às aulas no sentido de retornar às salas de aula típicas. Mas quando as escolas começarem a usar os prédios novamente, o ideal seria que elas se concentrassem em celebrar a resiliência e o aprendizado dos alunos durante o isolamento, construindo comunidades, atendendo às necessidades de saúde e emocional dos alunos, identificando o que precisa ser revisto ou retomado. 

O que você acha das universidades que não vão exigir o SAT este ano?

Parece uma experiência apropriada no momento. A preocupação é que as faculdades carecem de uma boa ferramenta para identificar estudantes academicamente promissores, de baixa renda, que não têm orientação e recursos para montar um bom portfólio para submeter às instituições.

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