Para cursinhos, último dia de provas da Unicamp foi conteudista e sem surpresas

Exames de Ciências da Natureza se conectaram a questões cotidianas e exigiram dos candidatos bom domínio de Matemática

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

14 Janeiro 2014 | 19h24

As provas do último dia da segunda etapa do vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), feito nesta terça-feira, 14, não apresentaram surpresas aos candidatos, segundo professores dos principais cursinhos de São Paulo. A avaliação geral é de que os testes de Ciências da Natureza, aplicados neste segunda, seguiram o formato dos últimos anos e mesclaram itens de vários níveis de dificuldade. 

Na opinião de Luís Ricardo Arruda, coordenador do cursinho Anglo, a cobrança nas questões exigiu estudo mais aprofundado dos candidatos. "Não dá para passar na Unicamp e na Fuvest (processo seletivo da Universidade de São Paulo) sem estudar bem Física, Química e Matemática", alerta. Para ele, os exames seguiram um modelo mais conservador e abrangente. "Também não identifiquei falhas nos enunciados".

Abordagem atual. O coordenador do cursinho Etapa, Edmilson Motta, disse que a prova de Física foi a mais complicada, ao colocar à prova os conhecimentos de Matemática dos candidatos além do domínio dos conceitos de Física. Já a prova de Química manteve a tendência de se conectar ao cotidiano. "Houve questões ligadas a processos industriais, farmacêuticos e problemas ambientais", aponta.

Para o professor de Biologia do cursinho Objetivo, Marcelo Alex Leal, a abordagem de temas de revistas e jornais ajuda a mostrar aos candidatos a aplicação dos conteúdos na vida prática. "Além de deixar a prova mais agradável, a abordagem desses assuntos obriga o aluno a se manter atualizado sobre o que acontece no mundo e na ciência", afirma. Na avaliação de Leal, assim como dos outros professores do cursinho Objetivo, a prova reuniu enunciados claros, equilibrados e sem armadilhas. "Em Biologia, faltou apenas a Botânica, que geralmente não é o tema preferido dos alunos", lembra Leal. 

Já em Física, o grande volume de dados fez com que os alunos enfrentassem mais problemas com as contas. "Exigiu conhecimentos de Matemática e predominou a cobrança de Mecânica", diz o professor de Física do cursinho Objetivo, Rogério Airoldi. Para o professor de Química do mesmo cursinho, Sérgio Bignardi, questões como a nove, que faz uma piada com o conceito químico de polaridade, também contribuíram para deixar a prova mais interessante.

Modernização. O coordenador do cursinho Oficina do Estudante, Célio Tasinafo, elogiou o último dia de provas, mas acredita que o vestibular precisa de reformulações. "Houve um esforço maior de contextualização, diferente da prova de História de segunda-feira", apontou. Para ele, as questões não tiveram surpresas e estavam adequadas ao tempo de prova, embora os testes tenham sido cansativos.

De acordo com Tasinafo, coordenador do cursinho Oficina do Estudante, a segunda etapa desta edição mostra que o vestibular da Unicamp precisa se renovar. "O modelo é um pouco ultrapassado e não tem nada de interdisciplinar, diferente da tendência de Fuvest e Enem (Exame Nacional do Ensino Médio)". Outro possível ajuste, para Tasinafo, é usar nas questões mais recursos como gráficos e diagramas. 

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