WERTHER SANTANA/ESTADãO
WERTHER SANTANA/ESTADãO

Para além da sala de aula - e do verbo to be

Escolas usam atividade extracurricular – de teatro a oficina literária – para ensinar inglês

Júlia Marques, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2018 | 03h00

Oficinas literárias, teatros e até competições. Foi-se o tempo em que estudar inglês era só conjugar o verbo “to be” em sala de aula. Para aumentar o contato de alunos com línguas estrangeiras e ampliar habilidades de comunicação, escolas de idiomas investem em atividades extracurriculares. As opções exigem mais tempo de dedicação, mas, dizem alunos e professores, encurtam o caminho até a fluência. 

Stephanie de Sousa tem só 15 anos, mas já chegou ao nível avançado do inglês. Aluna do CNA, ela conta que participa de atividades fora da sala. Uma delas é a conversa com idosos em casas de repouso de outros países, como o Canadá. “A gente pode aprimorar o inglês e ter o contato com o pessoal do exterior sem ir para fora”, diz ela. O bate-papo dura 15 minutos. “Nos apresentamos e, conforme conversamos, surgem (na tela do computador) sugestões de assuntos. Perguntamos sobre emprego, família, se já veio ao Brasil...”

A escola também já colocou, de forma experimental, os alunos no lugar de “pizzaiolos”. Clientes de uma pizzaria nos Estados Unidos são atendidos pelos estudantes brasileiros. “Quanto maior o tempo de conversa, maior o desconto”, explica Marcelo Barros, diretor de educação do CNA.

Longe das telas, a escola estimula a confecção de livros pelos estudantes – em inglês ou espanhol – e faz até noite de autógrafos. Segundo Barros, as obras trazem dilemas dos alunos. “O idioma deixa de ser uma coisa estrangeira, e passa a ser algo que nos pertence.”

Facilitar a expressão em inglês também é uma meta da Cultura Inglesa. Na escola, há peças de teatro produzidas pelos estudantes – que bolam desde as falas até a apresentação final. “Achava que precisava melhorar a conversação. (No teatro), a gente fala em público e naturalmente o idioma se desenvolve”, diz Marcella Buccelli, de 34 anos, veterana do grupo. 

A escola também lançou, em 2016, um concurso de oratória. “É como uma copa do discurso”, diz Marcelo Dalpino, gerente acadêmico da Cultura Inglesa. Os estudantes têm de desenvolver uma apresentação sobre um tema, com ajuda de um coach. Há ensaios, mas os “brancos” são comuns – o que não é um problema. A capacidade de improvisar em inglês e encontrar palavras que substituam a original conta pontos. 

Para Nelson Castilho, de 50 anos, sair do espaço escolar é um bom desafio. Aluno da Alumni, ele se esforça para marcar presença em atividades extras. Em 2017, foi a um restaurante com colegas e professor, no Dia de Ação de Graças – feriado americano. Lá, os diálogos eram em inglês. “Exposto a um ambiente novo, se eleva o nível de atenção.” Atividades de saída a restaurantes também são organizadas pelo curso Cel. Lep. 

Na Red Balloon, as atividades extras são conectadas com habilidades exigidas na educação. Há cursos como os de empreendedorismo e raciocínio lógico – todos em inglês. Parte das atividades complementares envolve até crianças de 3 anos. 

Objetivo

É uma tendência que escolas proponham atividades extracurriculares, principalmente com uso de tecnologia, segundo Alberto Costa, coordenador da Cambridge English, que avalia a proficiência em inglês e preparo de professores. “Mas, se não tiver cunho pedagógico, depois de três aulas perde o significado”, afirma.

A capacidade de comunicação – foco dessas atividades – conta pontos em testes de proficiência e no mundo corporativo, diz ele. “(A expressão oral) é primordial para quem trabalha em negócios.”

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