Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Papel da ciência no mundo contemporâneo é o tema da redação da Fuvest de 2020

Confira todas as questões que caíram na prova de Língua Portuguesa e os textos da proposta de redação; 'Estado' fará correção ao vivo a partir das 20h

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2020 | 18h18

SÃO PAULO - O papel da ciência no mundo contemporâneo foi o tema da redação da segunda fase da Fuvest, aplicada neste domingo, 5. A prova é considerada um dos maiores vestibulares do País e a principal porta de entrada para cursar uma graduação na Universidade de São Paulo (USP). O Estado faz correção ao vivo a partir das 20 horas, com a participação de professores de cursinhos pré-vestibular.

A proposta de redação traz uma tirinha do escritor Luis Fernando Verissimo, um texto do pesquisador Oscar Sala, a letra de uma canção de Gilberto Gil, uma declaração do cientista Carl Sagan e o trecho de um artigo da médica Alicia Kowaltowski. O texto elaborado pelo candidato precisava ter de 20 a 30 linhas, com título, e redigido de acordo com a norma-padrão do português.

Na parte de Língua Portuguesa, a prova trouxe questões que citavam a icônica fotografia de uma criança nua fugindo durante a Guerra do Vietnã, Machado de Assis, memes e textões de internet e o livro O Cortiço, do escritor Aluísio de Azevedo, dentre outras referências (confira todas questões e os textos da redação no fim da matéria).

Nas redes sociais, o tema foi majoritariamente elogiado por estudantes. A coordenadora de redação do curso Poliedro em São José dos Campos, Fabiula Neubern, considera que ele seja de fácil desenvolvimento para os candidatos que se prepararam ao longo do ano, até por se aproximar da proposta do ano anterior (que foi "a importância do passado para compreender o presente").

“É um tema que não surpreendeu a maioria dos professores. Vejo como muito positivo, é a Fuvest se colocando na sociedade, em trazer para o corpo de alunos pessoas que estão preocupadas com temas da atualidade."

O crescimento do revisionismo científico nas redes sociais (como dos grupos terraplanistas e antivacina) é um dos possíveis pontos de partida para responder ao tema proposto, indica Fabiula. “A ciência sempre foi questionada e, com o advento das redes sociais, esse questionamento ganhou corpo.”

A professora também pontua que os candidatos poderiam escolher algum assunto específico para exemplificar o papel da ciência, como o desenvolvimento da inteligência artificial e de tecnologias que atenuem o avanço das mudanças climáticas. 

Já Maria Aparecida Custódio, professora do laboratório de redação do Objetivo, destaca que o tema é bastante abrangente, pois é tratado de forma mundial. Ela lembra que os candidatos poderiam tirar ideias dos textos apresentados na proposta do tema, que envolve especialmente o distanciamento entre a ciência e população em geral. 

“Gira em torno da questão de que a ciência precisa se aproximar  mais da sociedade, porque ainda mantém um distanciamento do cidadão comum, e esse distanciamento dá margem para o surgimento de teorias mentiras, como o que é discutido no movimento antivacina, por exemplo.”

“O candidato poderia falar do ponto de vista dos avanços, mas sempre com aquele ‘se não’: de que avançamos, temos mais tecnologia, mais facilidades na vida, mais acesso a curas, mas, por outro lado, estamos cada vez mais obtusos e incapazes de distinguir a verdade da mentira, o que é muito perigoso.”

Também do Objetivo, o professor de Língua Portuguesa Serginho Henrique considera que a prova foi mais exigente do que em edições anteriores. “Na parte de Literatura, o candidato precisava ter um importante domínio das obras, um conhecimento crítico, não bastava ler resumos.”

Ele pontua, ainda, que quatro questões exigiam conhecimento de gramática, sintaxe, semântica e outros aspectos da linguagem. Além disso, duas perguntas envolviam interpretação de texto. “Uma das questões falava sobre textões (de internet) e meme, que ganharam espaço na sociedade e são maneiras de se expressar hoje em dia. Apesar de serem gírias coloquiais, também traduzem um momento social importante.”

Primeiro dia da segunda fase da Fuvest teve 6,9% de abstenção

Na segunda etapa da Fuvest, todas as questões são dissertativas. No primeiro dia, os candidatos realizaram a prova de Língua Portuguesa e a redação, que equivale a cerca de um terço do peso da nota final. No segundo dia, fazem disciplinas específicas de cada carreira. 

A prova de Português e Redação teve taxa de 6,9% de abstenção entre os 34.924 candidatos convocados, uma queda em relação à 2ª fase da edição anterior, em que 7,7% não realizaram a prova no primeiro dia de exame.

A USP oferece 11.147 vagas em 106 carreiras. A lista de aprovados na segunda fase da Fuvest sai no dia 24 de janeiro. Essa é a data da primeira chamada. A segunda chamada acontece no dia 31 de janeiro. E a terceira chamada é no dia 7 de fevereiro. 

 

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