Palavra de professor: escolas da zona sul de São Paulo

Escolas no topo do ranking da região apostam em métodos diferentes de ensino

Estadão.edu

14 Outubro 2010 | 01h00

Móbile: contra o senso comum

 

O principal diferencial da Escola Móbile, segundo o professor de estudos literários e coordenador de Humanas, Wilton Ormundo, é a ênfase na formação cultural. Ele conta que o Móbile estimula o interesse pela cultura durante as aulas e no cotidiano dos alunos, fora das salas. Um exemplo é o cinema. “Achamos importante essa questão e pensamos no que podemos fazer para nosso estudante entender e valorizar mais essa arte.” Wilton diz que fica com a sensação de dever cumprido ao encontrar ex-alunos em peças de teatro ou lançamentos de livros. “É bom ver que viraram pessoas autônomas, que sabem escolher os melhores produtos culturais da cidade, fugindo do senso comum.”

 

Bandeirantes: foco na performance

 

O Bandeirantes é competitivo e a professora de inglês Patrícia Lolo, de 42 anos, tem orgulho disso. “É um aspecto que nos destaca. Os alunos que saem daqui acham tudo na vida fácil, não se desesperam com cobranças no trabalho”, diz. “Olhamos os adolescentes e pensamos em quem eles vão ser depois que saírem daqui. Isso nos motiva.” Apesar de ser rígido, o colégio se preocupa bastante com o bem-estar dos alunos e professores, conta Patrícia. Um exemplo foi quando aceitou virar sede da ONG para crianças e adolescentes com deficiência criada pela professora. “Fiz a proposta porque meu filho de 9 anos é deficiente. Eles aceitaram e percebi que, para a escola, não sou só uma profissional.”

 

Etapa: valorizando a prata da casa

 

Muitos alunos do Etapa retornam à escola como professores. Simone Ferreira Gonçalves Motta, de 43, dá aulas de gramática e redação no colégio há mais de 20 anos. No final dos anos 80, teve oportunidade de fazer cursinho no Etapa e se destacou. Assim que passou em Letras na USP, foi chamada pelo colégio para trabalhar. “O Etapa tem uma política de aproveitar o potencial das pessoas de dentro. Como eu havia acabado de entrar na universidade, não podia dar aulas. Comecei como atendente e, assim que me formei, a sala de aula já esperava por mim.” Outros professores do colégio foram alunos de Simone. “São meus colegas, mas me chamam de professora até hoje”, conta, orgulhosa.

 

Maria Imaculada: além do vestibular

 

O Colégio Maria Imaculada segue os preceitos de madre Carmen Sallés, religiosa espanhola morta em 1911, que pregava uma educação preventiva para evitar os erros que pudessem ser cometidos pelos alunos, como o envolvimento com as drogas. Fruto disso é uma educação personalizada, que a professora de história e sociologia da escola Fabiana Scoleso elogia e segue. “O nosso objetivo é formar o aluno na sua totalidade e não alguém que vai só prestar vestibular. Devemos entender o jovem como cidadão, filho, aluno e estudante. Eu mesma me preocupo em educar jovens com condições de responder não só ao mercado de trabalho, mas às questões éticas do dia a dia”, define.

 

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