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Pais tiveram de ir à Justiça para educar filhos em casa

Luiz Carlos e Tayane da Silva tentaram acordo com a escola para crianças se apresentarem apenas nas avaliações, mas caso acabou sendo encaminhado ao MP

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

25 Dezembro 2016 | 03h00

O casal de pedagogos Luiz Carlos e Tayane da Silva nunca haviam pensado na possibilidade de educar os filhos em casa. As crianças foram para a escola aos 7 anos, conforme obrigatório na época, em uma escola confessional católica. Mas, já nos primeiros meses, a família percebeu que o ensino não era o que esperavam para a formação dos filhos.

“Ficamos muito insatisfeitos com a condução instrucional do ensino, não concordávamos com a metodologia. E também com a formação moral, nós escolhemos a escola católica especialmente por acreditar que estava em consonância com nossos valores morais, mas não foi o que aconteceu”, diz Silva, que é professor do departamento de Educação da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

As crianças, então com 7 e 8 anos de idade, só assistiam televisão por alguns minutos em alguns dias da semana. Silva conta que na escola as crianças comentavam sobre programas e novelas que assistiam e que ele considerava inadequados para os seus filhos. “A gente começou a ver que poderíamos perder o controle sobre a educação que queríamos dar”.

Eles mudaram os filhos para uma escola pública, mas, segundo ele, foi uma “tragédia total”. “As crianças ficaram 15 dias nessa escola e os problemas se potencializaram.”

Foi então que decidiram educar os filhos em casa e tentaram um acordo com a direção da escola para que enviasse o programa de ensino e comunicasse sobre os dias de avaliação. A escola se negou e o caso foi encaminhado para o Ministério Público.  “Nessa hora vi que tentavam nos tirar pátrio poder. Constituímos um advogado e entramos na luta para conseguir educar da maneira que achamos mais adequado e o juiz nos autorizou”, conta.

Segundo Silva, para complementar o homeschooling as crianças foram matriculadas em atividades esportivas e musicais para o desenvolvimento social. “As atividades fora de casa nos ajudaram a entrar numa rotina e permitiram que eles fizessem várias amizades”.

Lucas e Júlia, que tem agora 18 e 17 anos, respectivamente, se preparam para o vestibular. Ela quer Medicina e ele, Direito. Lucas vai começar a frequentar um cursinho vestibular e Júlia, está estudando em casa com a ajuda de um professor particular de Biologia e Química.

Dedicação. Para ele, a educação domiciliar é um direito “inalienável” dos pais, mas hoje é tratado de forma desrespeitosa pelas autoridades. “São pessoas que se dedicam para dar uma educação de qualidade e sofrem ameaças, pressão, constrangimento por professores e autoridades”. 

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