Pais se unem para comprar material escolar no atacado

A receita é simples, óbvia e sempre dá certo: comprar no atacado para pagar menos. A novidade é que, em vez de levar mais produtos do que o necessário apenas por causa do preço baixo, pais começaram a unir as listas na hora de comprar o material escolar dos filhos. Pacotes de cinco cadernos servem para dois alunos, caixas com 50 canetas podem ser divididas entre até dez crianças.Há três semanas do início das aulas, as ruas e as lojas atacadistas da Rua 25 de Março, no centro da capital, já estão cheias. Os corredores entre as prateleiras de setores de papelaria, quase intransitáveis. "A volta às aulas é como um segundo Natal para nós", diz o gerente dos Armarinhos Fernando, um dos maiores estabelecimentos da região, Marcio Gavranic.A confusão compensa, garantem pais e mães. "Quando vimos os preços do atacado, resolvemos dividir os lápis, os cadernos e as folhas sulfite", conta Elisabete Portela, mãe de duas filhas, de 8 e 5 anos. Ela e a amiga Juliana Tatagiba pela primeira vez juntaram as listas escolares dos filhos. Gastaram cerca de R$ 400 no total, levando materiais e mochilas - que custam por volta de R$ 40 - para quatro crianças. "Com tanta opção, o difícil é resistir e não comprar o que não é essencial", diz Elisabete.Segundo a assistente de direção da Fundação Procon, Maria Cecília Thomazelli, comprar no atacado, desde que em conjunto com outros pais, é certamente vantajoso. "Mesmo que tenha de se deslocar para lugares mais distantes, vale a pena, se são muitas crianças. O que não pode é comprar no atacado para um só aluno porque haverá um gasto desnecessário", afirma.A diferença entre o preço da unidade vendida separadamente e em pacote passa de 200% em alguns casos, como no da caneta esferográfica. O lápis preto também pode ser comprado por menos da metade do preço se vier em caixas com 144 unidades.Optar pelo atacado é também uma maneira de fugir da variação dos preços em papelarias. No varejo, uma pesquisa do Procon identificou este mês diferença de valor de mais de 300% em produtos, dependendo da loja escolhida."Este ano, resolvemos apostar na variedade porque nosso público agora procura do material popular ao de marca", diz o gerente do Armarinhos Fernando. Ele afirma que estão se tornando comuns os grupos de mães que vão à loja em busca de materiais escolares.Vilma, Aline e Zilda dos Reis foram em família. Papel crepom, celofane e caderno da Barbie, tudo dividido entre as três. "É o segundo ano que a gente vem junto e sempre economizo", conta Vilma, que mora em Minas.A Fundação Procon lembra ainda que os pais precisam avaliar o que foi usado no ano anterior e reaproveitar ao máximo os produtos. "Não é preciso adquirir todos os itens da lista. Negocie com a escola e compre depois o que será usado nos outros bimestres", completa Maria Cecília.Outra dica para os pais é não aceitar listas de material escolar que contenham itens não pedagógicos, como papel higiênico ou remédios.

Agencia Estado,

21 de janeiro de 2003 | 23h29

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