Pais devem se mobilizar e cobrar escola

Educadora acredita que assim a instituição pode revisar algumas da práticas pedagógicas

Fábio Mazzitelli, Jornal da Tarde

19 Julho 2010 | 00h09

A psicopedagoga Neide Noffs, professora da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), defende que os pais se mobilizem e cobrem das escolas no caso de nota baixa no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ou queda acentuada de desempenho em relação ao ano anterior.

 

Na visão da educadora, quanto mais organizada for essa cobrança, mais a escola se sentirá obrigada a dar uma resposta positiva e, quem sabe, revisar algumas da práticas pedagógicas.

 

"O ideal é que os pais formem uma comissão para conversar com a diretora e com os professores para saber por que a escola foi mal. Cabe aos pais, junto com os filhos e o colégio, entender o que aconteceu", diz a professora. "Em alguns casos, a escola precisa rever a sua estrutura."

 

A educadora afirma que as conversas com o filho sobre a rotina escolar, que sempre têm de existir, poderiam ser intensificadas no caso de um mal desempenho, com conversas diárias sobre o dia a dia nas salas de aula e também questões sobre faltas de professores e problemas na gestão do colégio, por exemplo.

 

"Os pais têm de detalhar com a direção da escola em que áreas os estudantes estão mal e o porquê", indica. "É como um diagnóstico de saúde, em que você olha para o seu próprio corpo. A escola tem que olhar para dentro dela mesma."

 

A educadora da PUC só defende uma posição mais radical das famílias, como transferir o filho de escola, em último caso.

 

"Antes de pedir uma transferência, a mãe deve pressionar a escola para melhorar. Afinal, o filho normalmente tem laços importante de amizade e o rompimento pode ser ruim", afirma.

 

Esse tipo de cobrança e mobilização das famílias vale, de forma geral, tanto para as escolas particulares como para as públicas. Nesse último caso, entretanto, há mais dificuldades para a reversão de um resultado negativo.

 

"Na escola particular, a motivação do corpo docente é naturalmente trabalhada. No ensino público, muitas vezes, faltam funcionários e não há o reconhecimento do esforço do professor. A gestão escolar é a variável que hoje mais pesa para que haja boas condições de ensino."

 

 

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