País avança no ensino fundamental e estaciona no médio

Índice da educação básica foi divulgado nesta quinta-feira pelo MEC em Brasília

Rafael Moraes Moura , Estadão.edu e O Estado de S. Paulo

01 Julho 2010 | 15h54

O nível das escolas públicas do Brasil está melhor em relação a 2007, apesar de o ensino médio apresentar uma evolução menor. Isso é o que mostram os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2009 divulgados nesta quinta-feira, em Brasília, pelo ministro da Educação, Fernando Haddad.

 

Todos os níveis de educação superaram, em média, as metas estabelecidas (veja quadro). A faixa que teve o melhor desempenho foi a dos anos iniciais do ensino fundamental (da 1.ª a 4.ª série), com índice de 4,6 - um crescimento de 0,4 ponto em relação ao desempenho de 2007. O índice superou a meta para o ano, que era 4,2.

 

"O Brasil fixou metas de qualidade, metas ambiciosas, que nos colocam daqui a 10 anos num patamar razoável na educação. Nós estamos cumprindo isso. Estamos distantes da nossa meta final, mas estamos com uma trajetória consistente já pelo quarto ano consecutivo", afirmou Haddad.

 

Da 5ª a 8.ª série, o Ideb foi de 4,0 -  que é 0,2 ponto melhor que o desempenho de 2007 e supera a meta em 0,3 ponto. O ensino médio foi que registrou menor evolução: ficou em 3,6 pontos - apenas 0,1 ponto maior que a meta.

 

"O que temos pela frente é muito difícil. Estamos distantes do nosso objetivo que é a nota 6, apesar de termos superado as metas que foram estabelecidas", disse ministro. "Não é hora de esmorecer, é de tentar acelerar o ritmo das mudanças para conseguir melhorar os resultados."

 

 

Haddad disse que não faltam razões para comemorar, mas sempre fazendo ressalvas sobre o longo caminho que o país ainda tem de percorrer. "Quando um país se propõe, como o Brasil, a fixar metas de qualidade de educação - e eu não conheço nenhum outro país que tenha feito isso - penso que, já por si, é algo pra celebrar. Quando cumpre, melhor ainda. Mas a distância que nos separa de um sistema educacional desenvolvido ainda requer as cautelas devidas."

 

Até 2021 o MEC pretende alcançar a meta de 6,0 pontos, a média dos países desenvolvidos da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Organizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), o Ideb foi criado em 2005.

 

"Muito dificilmente nos próximos 4 anos o Ideb dos anos iniciais vai aumentar 0,8 - e isso não é ruim. Já no Ensino Médio, vai acontecer o contrário: ele começa mais modestamente e aí colhe os resultados, o beneficio do esforço que foi feito no Ensino Fundamental", explicou o ministro. "O 0,8 dos anos iniciais, oxalá se repita, mas a teoria pelo menos prevê que perde um pouco de ímpeto nos próximos 4 anos, mas em compensação ganha ímpeto o movimento de melhora nos anos finais e no Ensino Médio, em função dessa trajetória."

 

Fluxo escolar x Desempenho

 

O Ideb é o indicador que o MEC leva em consideração para verificar o cumprimento das metas fixadas no Compromisso Todos pela Educação. Há indicadores por redes de ensino referentes a 1.ª e 2.ª fases do ensino fundamental e para o ensino médio. O MEC colocou à disposição consultas às projeções do indicador ao longo dos anos, com metas bienais estipuladas para cada Estado e município.

 

O Ideb leva em consideração dois fatores que interferem na qualidade do ensino: rendimento escolar, por meio das taxas de aprovação, reprovação e abandono, e as médias de desempenho dos alunos nas avaliações nacionais – Saeb e Prova Brasil. A combinação entre fluxo e aprendizagem resulta em uma média para cada Estado, município e País que varia de 0 a 10.

Veja o relatório completo do Ideb.

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