DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Pais aderem às ocupações, mas pedem que não haja bagunça

Como a maioria dos alunos vive perto do colégio onde estudam, também pesa o possível pagamento de transporte escolar

Isabela Palhares e Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

13 Novembro 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Além de alunos e professores, as ocupações nas escolas que estão na lista da reorganização e serão fechadas têm contado também com a participação de pais. Preocupados com a presença da Polícia Militar e contrários à medida, eles acompanharam os filhos durante os protestos, dentro e fora dos colégios.

Na Escola Estadual Castro Alves, na zona norte da cidade, a maior preocupação era com a distância: a unidade mais próxima do colégio a ser fechado, segundo os pais, fica a cerca de 2,5 quilômetros. Como a maioria dos estudantes vive perto da escola, também pesa o pagamento de transporte escolar. 

“Tenho um filho de 14 e outro de 11 aqui na escola. O mais velho pode se virar, mas eu não tenho condição de pagar perua para o mais novo”, reclamou a dona de casa Ione Gomes, de 40 anos. Para ela, o fechamento da unidade pegou toda a comunidade de “surpresa” e deve atrapalhar a rotina dos pais, principalmente os que têm mais de um filho.

“Eu estudei aqui, meus filhos estudam aqui. Sou totalmente contra o fechamento”, contou a mãe de dois alunos do 3.º ano do ensino médio e professora Valdecir Rosa, de 48 anos. Ela acompanhava o protesto dos filhos e de outros adolescentes e disse que autorizaria que os jovens passassem a noite no local. “Se não tiver bagunça, se for um ato organizado, eu apoio. Vou até trazer um lanchinho depois”, contou. 

Mãe de um aluno de 11 anos que está no 6.º ano do ensino fundamental da Castro Alves, a dona de casa Cristiane Mai, de 42 anos, critica a falta de informação. “Não concordamos e ninguém nunca nos perguntou o que achamos dessa medida do governo. Tem de protestar mesmo”, disse.

Risco à rotina. Na Fernão Dias Paes, em Pinheiros, Lucileide Araujo dos Santos, de 48 anos, foi com a filha de 13 que estuda no local. “Decidimos apoiar os estudantes. Eu trabalho aqui perto, trago minha filha na escola todos os dias e na outra não poderei fazer isso.” 

O auxiliar Rabsaque Moreira Cruz,  de 45 anos, é pai de dois alunos da escola Fernão Dias Paes e que ocupam o prédio desde terça-feira e disse dar total apoio e ter muito orgulho dos filhos por terem se juntado ao protesto. "Eles estão fazendo história, muita coisa vai mudar com o movimento deles. Sempre ensinei que eles tinham que lutar pelos direitos deles".

Simone, de 16 anos, e Igor, de 15, moram com a família em Osasco e saem de casa às 5h40 para chegar à escola a tempo das aulas. "Consegui a vaga pra eles aqui há dois anos, a escola em Osasco era muito precária, faltava muito professor".

Desde que os filhos entraram na ocupação da escola, Cruz disse que tem ido até a escola várias vezes ao dia para ver se estão bem. "Trabalho aqui perto e dou umas escapadas pra vê-los. A mãe deles ficou preocupada, queria vir buscá-los, mas eu a convenci a deixá-los fazer o que acreditam". Ele disse que a única preocupação dos filhos é que depois sofram retaliação da direção da escola e sejam expulsos.

"Eu falei pra eles ficarem tranquilos, se algo acontecer depois a gente entra com recurso. Eles não estão fazendo nada de errado. Errado é fechar escolas, na verdade, isso é um crime".

 

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