Giovana Dalcin/Arquivo Pessoal
Giovana Dalcin/Arquivo Pessoal

Pai monta barraca para filho conseguir acessar internet e estudar; vaquinha virtual tenta ajudá-los

Barraca de madeira e lona foi montada em meio à lavoura, onde o sinal de internet é melhor; campanha quer angariar R$ 133 mil

Lucas Rivas, especial para O Estado

28 de agosto de 2020 | 10h00

PORTO ALEGRE - A história do aluno Alan Somavilla, de 11 anos, de Estrela Velha, município distante 270 km da capital gaúcha, emocionou o País após repercutir nas redes sociais. Ele passou a estudar em uma barraca improvisada pelo pai no meio da lavoura para conseguir captar o sinal de Internet e acompanhar as aulas virtuais, em meio à pandemia. O exemplo de superação do menino ganhou um novo capítulo quando uma vaquinha online foi criada para arrecadar fundos e ajudar a melhorar as condições da família de agricultores. O objetivo é angariar R$ 133 mil para garantir a construção de uma casa com melhor estrutura. A metade do valor já foi arrecadada, de acordo com o site Vooa. 

Inicialmente, a Escola Estadual Itaúba emprestou uma mesa e uma cadeira para auxiliar nos estudos de Alan. Até pouco tempo atrás, a família sequer tinha um telefone celular. Após ter dado início às atividades virtuais, com um aparelho telefônico, com um plano de dados de apenas R$ 40, o estudante achou em meio à lavoura uma área onde o sinal de internet era mais potente. Foi então que o pai, Odilésio, construiu uma barraca de madeira e lona no local.

Com a vaquinha, a corrente de solidariedade busca dar maior conforto para Alan aprofundar os estudos e ainda adquirir um notebook para auxiliar o aluno do 6° ano, que sonha se formar em Direito. "Eu quero ser advogado para ajudar as pessoas que são acusadas injustamente. Eu me sinto muito feliz de estudar ali porque o sinal da internet pega bem. Lá, eu não sinto frio porque a barranquinha é bem fechada. Mas eu gostaria que as aulas voltassem porque é bem melhor ter a professora explicando. Na sala, a gente também ajuda os colegas", disse Alan ao Estadão.

Por semana, são realizadas três aulas de forma remota, sempre no turno da manhã. A cidade de Estrela Velha é uma das 12 que ainda não registrou a presença do novo coronaváirus no Rio Grande do Sul. Localizada na região central do Estado, o município de 3,6 mil habitantes segue classificado como a bandeira laranja, que indica risco médio de contágio para o vírus. 

Como o governo estadual vive um impasse quanto à retomada das aulas presenciais, a diretora da Escola Estadual Itaúba, Giovana Dalcin, disse que pretendia chamar, inicialmente, a atenção da comunidade sobre a importância dos estudos, pegando como exemplo a dedicação de Alan.

"O esforço dele nos sensibilizou de tal forma que a gente não tinha como não mostrar. No início, a gente queria incentivar pais e alunos, mas a gente nunca pensou que a repercussão seria desse tamanho. Nesta pandemia, é essencial o acompanhamento da família com as atividades escolares. A gente não tem como não se emocionar com a história do Alan. Ele é um ótimo aluno, todas as professoras querem levar ele para casa", conta.

A mãe do menino, Dejanira Somavilla, comoveu-se com a história do pequeno. "Eu me sinto muito emocionada com tudo isso. O Alan sempre foi muito atencioso e disposto a estudar. Sempre vai para a barraquinha dele com muita vontade. O pai dele construiu porque a internet não pegava em casa direito. Estou muito orgulhosa por ele." 

Com as aulas presenciais suspensas desde a metade de março, devido à pandemia, o governo gaúcho disponibilizou aos estudantes da rede estadual o acesso ou a ampliação da internet por meio de smartphones para que o conteúdo fosse transmitido via aplicativo Google Classroom (Google Sala de Aula). A velocidade da conexão, porém, tem sido alvo de queixa de estudantes em diferentes localidades do Estado.

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