Outra noite de vigília por uma vaga em escola municipal

Cerca de mil pais de alunos enfrentaram na segunda-feira uma longa fila para tentar garantir uma vaga numa das mais concorridas escolas municipais da zona norte da cidade. Alguns haviam passado a noite na calçada. Outros chegaram a ficar acampados na rua de quinta-feira até sábado. A Escola Municipal Professor Derville Allegretti tem apenas 262 vagas disponíveis para os níveis fundamental, médio e cursos técnicos profissionalizantes e ostenta a fama de oferecer ensino comparável ao de muitas escolas particulares. "Dormi sentada no chão. Para comer, os vizinhos davam alguma coisa", disse a mineira Edmee Fernandes, de 66 anos, que buscava vagas para seus dois netos. Ela esteve de quinta a sábado no local de inscrição, na Avenida Voluntários da Pátria, a poucos metros da escola. Na noite de sábado, por ordem do novo secretário Municipal da Educação, Nelio Bizzo, os cerca de 300 pais que esperavam na rua receberam uma senha como garantia de atendimento e voltaram para casa. Mas, no domingo, um novo grupo de pais formava outra fila. Na segunda, houve confusão entre os que portavam e os que não portavam senha. "Não saiu nada no Diário Oficial sobre senha ou que a gente deveria chegar antes", reclamava Roseli Lucas Martins, que chegou de madrugada. Ontem foi o primeiro dia de cadastro para quem deseja disputar uma vaga. A direção da escola dará prioridade aos alunos fora da rede escolar, depois para os das escolas municipais e em seguida aos de outras escolas públicas. Os resultados saem dia 13. Segundo a diretora da escola, Regina Maria Zanolli, todos os anos há filas. Este ano, porém, a espera ocorreu na rua porque o prédio está servindo de alojamento para os moradores da Favela Zaki Narchi, parcialmente destruída por um incêndio antes do Natal. Bizzo reuniu-se ontem em Brasília com o ministro da Educação, Cristovam Buarque, para discutir um novo modelo de cadastro escolar via telefone.

Agencia Estado,

07 de janeiro de 2003 | 16h52

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