Os sinais de que é hora de mudar

Saiba como identificar os sintomas de que a criança tem problemas no colégio; é bom não ignorar as queixas, dizem especialistas

Felipe Mortara, Especial para o Estado, Estadão.edu

13 Outubro 2010 | 22h52

É natural se preocupar com a formação dos filhos e zelar para que a escola faça sua parte. Mas poucos pais sabem detectar sinais de que algo vai mal na relação entre o filho e o colégio.

 

Adaptação à escola, sintonia entre perfil familiar e do colégio e socialização com colegas são alguns pontos que causam conflitos. A psicopedagoga Edimara de Lima aponta dois tipos de sinal de que as coisas vão mal. O primeiro é psicossomático – a criança se queixa de dores de cabeça e mal-estar. “São ‘doenças’ sem fundamento físico, mas que mostram desconforto. O segundo ponto é uma mudança de comportamento.” Se a criança é falante e expansiva, tende a ficar mais quieta. Agressividade é outro indício de que algo não vai bem.

 

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A designer Andrea Fratogianni viu o comportamento de Rafael, de 5 anos, mudar após transferi-lo de escola em fevereiro. “Ele ficou respondão e dizia que a professora era brava.”

 

Andrea procurou o colégio, mas insistiam que era algo inventado pelo menino. “Um dia ele imitou espontaneamente a professora, gritando ‘fica quieto!’, e contou que ela deixava de castigo quem conversava. Resolvi que o Rafael não iria mais lá.” Em agosto, após visitar dezenas de colégios, optou pelo Augusto Laranja. “Meu filho voltou a ser criativo e imaginativo.”

 

Nem toda dor de cabeça ou resposta atravessada são indicadores de problemas na escola – mas é bom não minimizar as queixas. “É preciso ir atrás da causa do descontentamento. Recomendo que se observe as queixas sob três pontos: intensidade, frequência e duração”, diz Edimara.

 

A pesquisadora Renata Rubano, do Instituto Meio Ponto, de pesquisas de mercado, fez um estudo em 15 colégios da capital sobre fatores que pesam na escolha da escola. Descobriu que a afinidade de valores é a principal motivação dos pais – e uma possível causa de conflito. “É comum a família ficar insatisfeita ao perceber que o colégio era diferente do que imaginava. A criança pode estar expressando esse descontentamento. Daí não tem reunião que resolva.”

 

Os irmãos Henrique, de 16 anos, e Gustavo Oliveira, de 11, trocaram de colégio no último ano pelo mesmo motivo: excesso de cobrança. “O Henrique estava irritado e engordou nas primeiras semanas. Depois descobri que mais 7 alunos queriam ir embora já no 1.º bimestre. Sentiam-se obrigados a honrar o nome do colégio”, diz a mãe, a pediatra Soraia Oliveira.

 

“Gostava do pessoal, mas era muita matéria. Uma vez o professor falou de um jeito meio ofensivo que, se não fizéssemos a tarefa toda. estávamos na escola errada. Me senti meio mal”, lembra Henrique.

 

A mãe trocou os dois de colégio. “Agora eles veem a escola com outros olhos. Acho que os colégios têm se esquecido do aluno e olhado mais para seu próprio nome e posição do Enem. Querem só que o aluno vá bem.”

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