JB Neto/AE
JB Neto/AE

Os pais das juniores

Veja onde estão hoje os fundadores de algumas das principais empresas juniores do Brasil

Cedê Silva, Especial para o Estadão.edu

24 Outubro 2011 | 22h28

Do alto de seus 40 anos, o gerente financeiro da Braskem, Rogério Coura, ainda acha úteis as lições de seu tempo de empresa  júnior. Ele foi o primeiro presidente da PJ, dos cursos de Engenharia Mecânica e de Produção da UFMG. “Tínhamos a vontade de fazer mais pela universidade e  de ter experiências práticas”, conta. “Não tenho dúvida de que essa atitude contou na minha seleção para trainee do Citibank, em 1996.”

 

Hoje do outro lado do balcão, Coura valoriza candidatos que mostram iniciativa. “Trabalho com mais de 2 mil clientes, e sempre que visito empresas lembro das dificuldades burocráticas que enfrentei para abrir um novo negócio. Pena que isso não mudou”, lamenta.

 

Coura faz parte da geração que viu o nascimento de várias EJs, no começo dos anos 90. Na maioria dos casos, a inspiração veio de outras faculdades.

 

Herbert Gonçalves, da mesma idade do gerente da Braskem, é sócio de uma empresa de consultoria. Conheceu a EJ da FGV quando estudava Engenharia Eletrônica no ITA. “Gostei do entusiasmo das pessoas e pensei que era uma oportunidade de aproximar a escola das empresas”, conta. Primeiro presidente da ITA Jr., Gonçalves atraiu clientes como a empresa química Rhodia, então presidida por um ex-aluno da escola, Edson Vaz Musa.

 

“EJ é importante para quem quer carreira executiva”, afirma Gonçalves. “Te deixa em situações em que você só estaria cinco anos depois. Além disso, cada vez que muda o grupo de alunos, você tem a oportunidade de fazer algo diferente, mudar o que acha errado.” Quando foi abrir o próprio negócio, ele já tinha experiência com criar CNPJ, arranjar escritório e ir a uma junta comercial.

 

“Você cria tudo do zero: metas, responsabilidades, despesas”, afirma Renato Orozco, de 32, hoje aluno de MBA em Boston. Segundo presidente da Integri, do curso de Relações Internacionais da PUC-Minas, ele se orgulha de a EJ ter estimulado a faculdade a criar um centro de estágios, para aproximar os alunos do mercado. “Eu perguntava: todo mundo vai ser diplomata?”, brinca Orozco.

 

A Confederação Brasileira de Empresas Juniores divulgou em agosto seu último ranking das melhores EJs do Brasil (veja quadro). A PJ, fundada  por Coura, ficou em segundo lugar.

 

Marta Kaiser, de 43, ficou eufórica ao saber que a Adecon, que ajudou a fundar em 1992, foi escolhida a melhor de todas. Marta fez carreira no marketing e hoje é gerente de projetos da ONG Rede Feminina de Combate ao Câncer, em Maringá (PR). “Era tudo na cara e na coragem”, lembra.

 

A experiência nas EJs ajuda mesmo quem mudou completamente de área, como o diretor de teatro Luiz Eduardo Frin, de 39, que começou a trabalhar na FEA  Jr. “Eu era um menino de 18 anos do interior. Fez bem para minha autoestima.” Frin prestou consultoria a uma clínica com problemas no fluxo de caixa. “Você descobre que tem algo a oferecer.”

 

MELHORES EJs

 

A Confederação Brasileira de Empresas Juniores divulgou em agosto o ranking das 20 melhores do Brasil. As ‘top 3’ do levantamento são:

 

1ª) Adecon, da Universidade Estadual de Maringá (UEM) | Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas | www.adecon.uem.br

 

2º) PJ Produção Júnior, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) | Engenharias Mecânica e de Produção | www.producaojunior.com.br

 

3º) Mecatron, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) | Engenharia de Controle e Automação | www.mecatron.org.br

Notícias relacionadas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.