Orgulho de estudar numa instituição conceituada

Se você acha que faculdade é sinônimo de curso tradicional, feito em uma instituição cheia de história ? e histórias ? e, além disso, precisa dar status, saiba que não está sozinho. Muitos estudantes que procuram cursos como Medicina, Direito e Engenharia optam por participar apenas dos vestibulares de uma ou duas faculdades, justamente as mais bem conceituadas. ?Quando perguntam, tenho o maior orgulho de falar que sou da São Francisco?, diz o estudante Bruno Siqueira, de 20 anos.Bruno, por exemplo, só conseguiu entrar na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP) no último vestibular ? após três tentativas. ?Meu esforço foi recompensado?, diz. ?Além de proporcionar felicidade a meus pais, que esperavam o resultado e me apoiaram em todas as provas, tenho à disposição os melhores professores do mercado e uma grande perspectiva de alcançar bons postos de trabalho em meu futuro profissional.?O vestibulando Murilo Amaral de Oliveira Faria, de 19 anos, tenta pela terceira vez uma vaga na Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Eaesp). ?Não tento em outros lugares porque quero fazer um bom curso, com ótimos professores?, diz. ?Além disso, tem a questão da auto-estima, do orgulho de persistir e conseguir.?Outro caso típico é o do estudante do terceiro ano da São Francisco Marcel Marteguin, de 21 anos. Só depois de dois anos de cursinho, ele conseguiu sua vaga. Já com alguma experiência na área, Marteguin considera seu curso diferente da maioria dos outros, mesmo. ?Os professores se esforçam para desenvolver nos alunos o lado racional, científico e filosófico do Direito?, acredita. ?Não saímos daqui só como aplicadores de normas jurídicas, como em outras instituições.?O estudante já faz estágio em um dos maiores escritórios de advocacia de São Paulo, mas sabe que isso não garante seu futuro. ?Terei de esperar para ver se serei beneficiado no mercado de trabalho por ter feito uma faculdade renomada.??Diferencial importante?Quando o aluno cursa uma faculdade tradicional em alguma área, ele já leva em seu currículo o fato de ter passado no vestibular?, afirma o proprietário da empresa de colocação profissional Catho, Thomas Case. ?É um diferencial importante, porque revela que o estudante tem facilidade de aprendizagem e consegue ser produtivo mesmo em situações de muita ansiedade e nervosismo.?Para Case, porém, a instituição em que se cursou a graduação é levada em conta apenas nos anos seguintes ao término da faculdade. ?Com o passar do tempo, a experiência profissional passa a ser mais importante na disputa pelos trabalhos?, acredita. ?Ainda mais quando entram em jogo os cursos de extensão universitária, as pós-graduações, os doutorados e os MBAs.?Segundo a gerente educacional do Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee), Sylvana Rocha, a relação entre faculdades renomadas e bons profissionais tem sido questionada cada vez mais pelo mercado de trabalho. ?Nossas pesquisas apontam que a escola de formação do profissional é, hoje, apenas o terceiro fator que mais pesa na hora da seleção nas empresas?, afirma. ?Capacidade de relacionamento interpessoal e facilidade em se comunicar, escrita e verbalmente, têm sido mais relevantes nos processos de seleção de estagiários.?OrçamentoDe acordo com Sylvana, porém, as grandes empresas continuam apostando as fichas nos profissionais vindos de escolas tradicionais. ?Como essas companhias não têm condições de acompanhar de perto o desempenho de todos os funcionários, elas têm de dar mais confiança à formação dos profissionais.?Outro fator que conduz os estudantes a tentarem vagas nas escolas mais renomadas é o orçamento. Explica-se: boa parte delas é pública. É o caso do engenheiro Edgard Kohan, de 58 anos, que está na reta final de preparação para as provas de Medicina da USP e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).?A primeira é reconhecida pela excelência nas práticas ambulatoriais e cirúrgicas; a outra, mais pelo lado de pesquisa. Ambas são gratuitas?, diz o vestibulando. ?Como ainda não decidi em qual área vou atuar, vou prestar as duas.? Kohan explica que resolveu tentar a nova carreira depois de se aposentar na antiga, mas, para isso, teria de fazer um curso de ?padrão internacional?.?Não faria sentido eu recomeçar com um curso mais ou menos?, afirma. ?Fiz meu nome na Engenharia e, agora, preciso manter a imagem.? leia também A história explica a fama de algumas instituições

Agencia Estado,

17 de novembro de 2003 | 17h13

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