José Luís Conceição/Estadão
José Luís Conceição/Estadão

Órgãos divergem sobre antecipar férias escolares na quarentena em SP

Associação de escolas particulares defende atividades a distância, enquanto sindicato vê dificuldades para colégios menores

João Prata, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2020 | 05h00

A quarentena que tem o objetivo de conter o aumento de pessoas infectadas pelo novo coronavírus causou situação inusitada para as escolas particulares e também um embate de como agir. O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp) recomendou a antecipação das férias de julho para abril e o início do ensino a distância a partir da maio. A Associação Brasileira de Escolas Particulares (Abepar), por sua vez, considerou a decisão absurda e aconselhou que as aulas online comecem a partir do próximo mês.

O presidente do Sieeesp, Benjamin Ribeiro da Silva, explicou que a decisão teve como preocupação as escolas privadas menores, que ainda não estão estruturadas para ensinar pela internet. “Por isso sugerimos a antecipação. É uma situação inusitada e as atitudes tomadas visam a minimizar o problema, que não tem como ser resolvido 100%.” 

O sindicato criou uma equipe de crise e, na opinião dela, a antecipação das férias dará tempo para essa estruturação. “Sabemos que as grandes escolas conseguem se organizar de uma forma ou de outra e aplicar a educação a distância. Mas as menores, não. No Estado de São Paulo são 10 mil escolas, 80% delas têm menos de 500 alunos. A maioria não está preparada”, declarou.

Mauro Aguiar, diretor da Abepar e do Colégio Bandeirantes, discorda. “É uma decisão completamente equivocada do Sieeesp. Estamos fazendo esforço grande, mobilizando conselhos estaduais do Brasil inteiro, escolas, famílias e professores para tentar normalizar a vida. Seria absurdo desmobilizar todo processo.”

A associação entende que dar férias aos professores neste momento seria tirar de cena quem mais pode auxiliar a minimizar os problemas provocados pela quarentena. “É absurdo o que o Sieeesp publicou”, prosseguiu. Para Aguiar, a educação a distância não demanda que se fique online o tempo inteiro. “Há várias formas que vão de aplicativos em smartphones a métodos mais convencionais de enviar o material para casa dos alunos.”

Benjamin rebate. “A Abepar só atende escolas de classe A e A+ e B+. São escolas que estão estruturadas. Para eles é bastante fácil propor isso. Cada um tem de conversar com sua comunidade e ver a melhor forma de passar por este período.”

O Sieeesp não obriga as escolas sindicalizadas e antecipar as férias – trata-se apenas de uma recomendação. Benjamin também prefere não fazer previsão de quando as aulas presenciais vão recomeçar. “O que digo hoje pode não valer amanhã. Tudo tem mudado em uma velocidade muito rápida. Mas estamos monitorando diariamente e nos readequando.”

A Abepar acredita que o ensino a distância acontecerá nos meses de abril, maio e junho e espera que os alunos voltem a frequentar as escolas a partir de agosto. “Vamos seguir essa linha e terminar o semestre, porque é uma recomendação também do Sindicato dos Professores manter as férias em julho”, finalizou Aguiar.

Exemplos 

Entre as escolas paulistanas, a estratégia adotada para esse período de quarentena tem variado. O Colégio Albert Einstein aderiu à antecipação das férias e informou por meio de comunicado que dará desconto na mensalidade dos alunos do período integral enquanto a escola estiver fechada. O quadro completo de funcionários do período integral entrou em férias desde a última semana, com salários e benefícios mantidos integralmente. O restante dos professores sairá de férias a partir de abril.

Já a Waldorf São Paulo começou desde a última semana o ensino a distância para turmas a partir do ensino fundamental – os alunos do maternal e do jardim de infância continuam sem aula.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.